quinta-feira, 27 agosto, 2026
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Marcas que não cicatrizavam no rosto eram câncer de pele

AssessoriaDuas pequenas marcas no rosto que formavam casquinhas e voltavam a aparecer, sem nunca cicatrizar de vez. Foi assim que o ilustrador Jan Savaris Soares, 35 anos, começou a desconfiar de que algo estava errado na pele. O que ele não imaginava é que aquelas lesões – uma abaixo do olho esquerdo, próxima ao nariz, e outra do lado direito do nariz – eram dois carcinomas basocelulares, o tipo mais comum de câncer de pele.

“Procurei uma dermatologista porque havia duas marcas no rosto que não desapareciam com o tempo. Foi somente quando recebi o resultado do laboratório que descobri que se tratava de dois carcinomas basocelulares”, conta Jan.

O diagnóstico veio como um susto. “A preocupação foi estética, por serem áreas muito visíveis e delicadas do rosto, e com minha saúde, pois também tive medo de que o tratamento fosse mais complicado do que eu imaginava.”

A busca por um tratamento mais preciso

Diante de tumores em uma região tão sensível e visível do rosto, a dermatologista que fez a biópsia o encaminhou para avaliar a Cirurgia Micrográfica de Mohs. A técnica ainda é pouco conhecida do grande público, mas considerada padrão-ouro internacional para remoção de câncer de pele em áreas como rosto e orelhas. Ela permite a retirada do tumor com margens mínimas de tecido saudável e altíssima taxa de cura devido ao exame completo das margens cirúrgicas no microscópio durante o procedimento.

A indicação levou Jan até o dermatologista e cirurgião de Mohs Dr. Felipe Cerci, referência nacional na técnica. “Pesquisei sobre os profissionais que a dermatologista havia me indicado. Foi assim que cheguei ao site do Dr. Cerci. Lá vi suas premiações em eventos científicos, inúmeras publicações científicas e que havia até livros de sua autoria. Do ponto de vista técnico, isso me transmitiu bastante confiança, pois mostrou que ele estava envolvido tanto com a prática quanto com a pesquisa na área”, relembra o paciente.

Antes da cirurgia, o medo de ficar com cicatrizes ou de o tumor não ser completamente removido ainda rondava Jan. Segundo ele, foi a explicação detalhada do médico, mostrando no próprio rosto como seriam feitos os cortes, que trouxe segurança para seguir em frente. “O medo é alimentado, principalmente, pelo desconhecimento. Saber o que provavelmente seria feito trouxe mais tranquilidade e reduziu significativamente minha ansiedade.”

Quando a pesquisa científica torna-se cuidado com o paciente

Curioso com o próprio diagnóstico, Jan foi além da consulta: leu artigos científicos sobre a técnica e sobre taxas de cura. Também buscou relatos de outros pacientes que já haviam passado pela Cirurgia de Mohs. Essa experiência o fez refletir sobre o papel da ciência na própria recuperação. “A pesquisa científica é fundamental. Além de contribuir com inovações e aperfeiçoamentos, também permite que os resultados sejam revisados, com número robusto de pacientes e estatística. Por meio da pesquisa é possível alcançar resultados mais seguros”, avalia.

É exatamente esse tipo de avanço que move o trabalho do Dr. Felipe Cerci fora do consultório. Pesquisador ativo, com mais de 60 artigos científicos publicados, e autor de dois livros de referência sobre reconstrução facial pós-Mohs, o médico integra grupos de pesquisa no Brasil e nos Estados Unidos, e acaba de concluir um estudo inédito capaz de tornar cirurgias como a de Jan ainda mais precisas.

1.415 tumores analisados

A pesquisa avaliou 1.415 carcinomas basocelulares primários de cabeça e pescoço, tratados por Cirurgia de Mohs entre 2018 e 2025, e identificou sinais no exame de dermatoscopia associados à maior chance de o tumor ter raízes microscópicas. O exame já é rotineiro no diagnóstico do câncer de pele, mas não havia estudos que correlacionaram achados dermatoscópicos com uma cirurgia mais longa e complexa. Alguns carcinomas parecem pequenos a olho nu, mas se alastram de forma invisível por baixo da pele, exigindo a remoção de várias camadas de tecido até que todas as margens estejam livres da doença.

O estudo mostrou que a presença de áreas róseas e brancas brilhantes, múltiplas erosões e/ou telangiectasias finas no exame de dermatoscopia estão associadas a essa extensão invisível do tumor. Já a presença de estruturas pigmentadas, como glóbulos azul-acinzentados, apareceu como um sinal protetor, indicando tumores mais restritos e previsíveis.

“O estudo mostra que a dermatoscopia pode fornecer informações que vão além do diagnóstico. Alguns achados observados antes da cirurgia podem indicar que o tumor se estende além do que conseguimos enxergar clinicamente. Isso permite um planejamento mais preciso do procedimento e uma orientação mais adequada ao paciente sobre a duração e a complexidade da cirurgia”, explica o Dr. Felipe Cerci, autor principal do trabalho.

O trabalho foi realizado em conjunto com as Dras. Bruna Cabral Meira Chaves e Betina Werner. É o primeiro estudo do mundo a demonstrar que critérios da dermatoscopia, e não apenas características clínicas e histológicas, como se sabia até então, também ajudam a prever a complexidade cirúrgica de um carcinoma basocelular. O estudo foi premiado em primeiro lugar no Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica (categoria trabalho de investigação), realizado esse ano em Goiânia.

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