
Lula diz que Temer não apita, que Doria não é nada e que Bolsonaro não tem chance. Gleisi Hoffmann é hostilizada no aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais. “O PT acabou com o país”, disse um manifestante.
Está dada a largada para as eleições 2018.
É o nosso “Zeitgeist”, o espírito do tempo. Pergunto-me se já houve época de tanto radicalismo eleitoral como o que agora se vislumbra.
Talvez não, porque o Brasil é um país de lapsos democráticos. Houve poucos períodos de estabilidade institucional. Contando nos dedos, 45 anos, menos de meio século. Democracia não parece ser mesmo a nossa praia. Há sempre um ditador no armário, à espreita, como de resto em toda a América Latina.
LEIS DEMAIS
Agora mesmo, a Assembleia Legislativa do Paraná está cantando em verso e prosa os 187 projetos de lei que fez aprovar no primeiro semestre deste.
Quem quer tanta lei? Legislação é controle. É o Estado dizendo o que você deve fazer ou não. Serve para alguns casos, mas não pode servir para qualquer caso como aquele que resulta de isenção de impostos às igrejas ou a pastores como pessoas físicas. Por quê? Isenção é renúncia.
Num país em pindaíba endêmica é deixar de arrecadar.
Mas esse é o tipo de poder que o político gosta de dispor. Determinar o futuro das pessoas, ter em suas mãos o destino delas, quiçá o seu ganha-pão. Aos sabujos, cargos em comissão. Aos opositores, a masmorra moral.
O PAI DE TODOS
Lula chama isso de afrodisíaco. Afirmou isso em entrevista recente para um trio de jornalistas esportivos. Diz que tem necessidade de retornar à política por puro prazer. Quer devolver o país aos trilhos. Ele, o pai de todos.
“Lulismo, Doença Infantil do Petismo” é um livro que ainda está por se escrito. Fala de sentimentos extremos, da necessidade de paternalismo oficial e da herança deixada por Pero Vaz de Caminha ao descrever a El Rey a “terra que tudo dá”. Inclusive cargos no governo.
OFERTA DE PROMESSAS
Escapa-nos a temperança. O equilíbrio de forças e o raciocínio lógico diante da oferta de promessas milagrosas. Lula quer que lhe devolvam o afrodisíaco. Pois bem. O brasileiro também. A economia também.
