
Luiz Carlos Martins (PSD) é um dos deputados da base aliada do governador Beto Richa que está “engrossando” a relação dos deputados que se opõem à possibilidade de o Governo não honrar o compromisso de aumento dos servidores, de 2015, “firmado em plenário, para encerrar a greve dos professores”.
Isto fica bem claro no noticiário distribuído dia 18 pela assessoria de Luiz Carlos, que crava:
“Pelo acordo, os servidores têm direito a reposição da inflação e mais 1% de ganho real”.
Para Luiz Carlos, o “compromisso tem que ser cumprido. O governo firmou este compromisso com o funcionalismo e isso não é brincadeira. Esse acordo foi celebrado na Assembleia e eu participei disso. Não é possível agora dizer que não será cumprido.”
De acordo com os cálculos do governo, o reajuste significaria mais R$ 2,1 bilhões de despesas em 2017 e não haveria dinheiro para isso. “Não aceito este argumento de falta de recurso. O compromisso foi firmado, nós, deputados, assinamos, e agora temos que ter palavra”, completou o deputado do PSD.
AJUSTE FISCAL
Martins também demonstrou preocupação com algumas propostas apresentadas no novo pacote de ajuste fiscal que deve ser votado em plenário nas próximas semanas. O deputado questiona a proposta de venda de ações da Copel e da Sanepar. O governo do Paraná pretende arrecadar até R$ 2 bilhões com a transação se a Assembleia Legislativa aprovar este novo pacote. Pelo projeto, o governo poderá vender ações com direito a voto de todas as empresas estatais, desde que o controle acionário seja mantido.
Para Martins, esse ponto “está bastante nebuloso e é preciso deixar tudo às claras”. E mais: “Há muitas dúvidas. Isso é um cheque em branco para a venda das ações da Copel e da Sanepar? Seria uma privatização em pedaços? E vou além, questionando se não seria o caso então de fechar a Assembleia. Nós, deputados, ficaríamos sem função caso o plenário eleito não possa mais votar os projetos de acordo com o interesse do povo. Isso tudo precisa ser esclarecido”.
O deputado e radialista Luiz Carlos Martins ressalta, porém, pontos positivos do novo pacote como o que dispensa do pagamento dos créditos tributários do IPVA gerados até o dia 31 de dezembro de 2011, ajuizados ou não. “Não vale a pena ficar cobrando isso. O custo é muito alto”.
“Outra proposta interessante – diz ainda o noticiário do gabinete de Luiz Carlos – é que amplia de R$ 15 mil para R$ 35 mil o limite mínimo para ajuizamento de ações para cobrança da dívida ativa. A medida permite que procuradores se dediquem a causas mais relevantes e isso é importante”, diz.
SAINDO DO SÉRIO
Luiz Carlos Martins saiu mesmo do sério. Rompeu com seu estilo ameno de fazer política, de “eterno” conciliador.
“Libertou-se”, segundo analistas, “do seu tom anódino, meio opaco, um tanto escondido de fazer política”.
Eu, que o acompanho há muitos anos, nisso acredito: Luiz, pode até estar mudando de estilo. Mas se mantém fiel ao conteúdo de sua carreira de comunicador das multidões; de homem que fala e transpira a linguagem do cidadão anônimo, da gente das periferias e do interior longínquo; é o radialista deputado que recolhe diariamente também centenas de manifestações de funcionários públicos anônimos, gente que vive batalhas enormes para garantir a subsistência familiar. E o parlamentar comunicador tem compromisso irrecusável com essa multidão de servidores.
Não vejo sinais de ruptura de Luiz Carlos com o Governo Beto Richa. Na sua fala de agora, acho mesmo que ele está exercitando a dúvida metódica: clama para que Beto mantenha-se fiel à própria palavra dada, enquanto expõe suas dúvidas.
O pesado mesmo da declaração enviada pela assessoria de Luiz Carlos Martins está no grito de guerra que ele dá, quando indaga se não seria melhor fechar a Assembleia Legislativa, diante da eventual possibilidade de os deputados “não poderem mais votar matérias de interesse do povo?”
