domingo, 5 julho, 2026
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Liminar da Justiça adia reajuste do transporte para 25 de março

Goura (foto: Bruna Alves Teixeira)
Goura (foto: Bruna Alves Teixeira)

Só a partir do próximo dia 25 de março, o curitibano pagará o valor da nova tarifa do transporte coletivo, de R$ 4,50, graças a uma liminar concedida pela justiça que parcialmente suspendeu o reajuste que vigoraria a partir desta quinta-feira, 28 de fevereiro. A liminar, que surpreendeu a Prefeitura e a URBS, é fruto de Ação Popular impetrada pela vereadora Professora Josete, do PT, e o agora deputado Goura Nataraj, do PDT. O pedido está baseado na nulidade do contrato administrativo de concessão do serviço público, por causa de alegada fraude praticada na licitação.

Josete e Goura alegam que o reajuste não foi apenas de 6%, como alega o alcaide Rafael Waldomiro Greca de Macedo – ao anunciar o novo preço na última semana. E sim, segundo os parlamentares, de 66,6%, compreendendo o prazo entre fevereiro de 2015 e fevereiro de 2019.

FRUET PAGOU O PATO

Vale lembrar que a tarifa, em 2017, custava R$ 3,70, e durante toda a gestão do então prefeito, agora deputado federal, Gustavo Fruet, o então governador Beto Richa foi diretamente responsável pelo fim da integração de várias linhas e também da renovação da frota, por conta da dificuldade em subsidiar a política do transporte urbano local e metropolitano.

Fruet pagou caro na ocasião, enquanto Greca de Macedo atualmente se vangloria, ao dizer que graças a ele Curitiba vê seu sistema de transporte aperfeiçoado com novos ônibus e múltiplos investimentos.

PRAZO EXÍGUO, SEGUNDO A JUSTIÇA

A liminar agora expedida pelo Justiça usou também como argumento o curto prazo entre a data do anúncio do aumento, no último dia 22, e a entrada em vigor do preço da nova passagem, dia 28. Apesar de já anunciada a nova data para entrada em vigor da tarifa – 25 de março -, Goura diz ainda acredita, baseado no exposto da ação popular, na suspensão tarifária de forma definitiva.

PERGUNTAS

Enquanto a Justiça bate o martelo, a Prefeitura nada revela sobre como funcionará a nova Agência Metropolitana de Transporte, que pretende reunir num só bloco a Comec e a URBS. O município ainda não respondeu que rumo tomará a URBS, hoje gerenciadora do sistema de transporte, nem como serão investidos os R$ 50 milhões anunciados pelo alcaide para o setor – e muito menos se essa importância está prevista na Lei Orçamentária Anual – a LOA 2019. A Prefeitura também mantém silêncio quanto à responsabilidade da bilhetagem integrada, a partir da criação da Agência.

MATEMÁTICA CRUEL

Apesar da suspensão do reajuste tarifário pela Justiça, nesta quarta-feira, o sistema de transporte coletivo funcionou normalmente.

Mas na URBS, as filas para carregar os cartões do vale-transporte eram imensas. Centenas de pessoas se acotovelavam no setor para adquirir passagens custando ainda R$ 4,25, preocupadas com o aumento. É bom lembrar que os créditos disponíveis no cartão têm validade de até um ano, segundo a empresa gerenciadora.

Já nova tarifa, com quatro deslocamentos diários, que hoje custam R$ 17,00, terão custo majorado em mais 1 real, ou seja, R$ 18,00. Durante os 20 dias úteis do mês em que a maioria das pessoas utilizam o cartão, os quatro deslocamentos/dia custam R$ 340,00 atualmente. Ao preço de R$ 4,50, no mesmo prazo a despesa totaliza R$ 360,00. Resumo da ópera: o gasto adicional é de R$ 240,00 ao ano – algo em torno de 20% do salário-mínimo.

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