
Jaime Lerner apresentou dia 2, à prefeitura de São Paulo o seu projeto de requalificação do centro velho da capital paulista. Não era uma tarefa fácil e ainda não é. O cenário de decrepitude, abandono e decadência parecia irremediável. Lerner trouxe inspiração e deu a ela um toque de praticidade. Não há, portanto, desenho nas nuvens nem investimento elevado às alturas. O que é preciso é vontade administrativa.
MINHA CASA, MEU FIM DE MUNDO
Lerner quer trazer o paulistano de volta à cidade, quer aproximar o local de trabalho do local de moradia. Nada do apartheid social criado pelo “Minha Casa, Minha Vida (Meu Fim de Mundo)” e por outros programas de moradia popular, cujo único propósito era afastar quilometricamente a população da cidade.
BULEVARES
A solução é construir grandes edifícios que se tornem símbolos da cidade e que sejam devolvidos ao cidadão como residências e não só como um conjunto de escritórios alheio ao fato de que há vida além do expediente. No entorno, Lerner projeta locais de convívio, bulevares estrategicamente desenhados, centros culturais intercalados por lojas, bares e restaurantes. O modelo é o de uma grande metrópole e São Paulo é uma grande metrópole, a terceira maior do mundo com 12 milhões de habitantes e capacidade para se consolidar como o maior centro de turismo de negócios da América Latina.
ÔNIBUS PANORÂMICO
Mas não se pode fazer isso sem uma cidade convidativa e estruturada.
Cidades de grande visitação em todos os cantos do planeta estão hoje voltadas para projetos que requalifiquem seus centros históricos. São Paulo não é diferente. Lerner quer transformar a linha centro de transporte urbano em um ônibus panorâmico cujas passagens serão pagas exclusivamente via celular, quer fazer do Minhocão um High Park, nos moldes do espaço verde criado no Queens nova-iorquino, quer transformar as calçadas sinuosas em grandes passeios e fazer da mobilidade urbana uma realidade, não um conceito.
PRAZO PELA METADE
O prefeito João Doria, que sonha com a candidatura à presidência da República em 2018, disse ontem que espera concluir as obras em oito anos. Lerner é mais otimista. Crê que tudo pode ser feito na metade do tempo. E ele não costuma errar em suas previsões.
