
Cabia bem chamar a Léo de Almeida Neves de “o último getulista do Paraná”. Foi assim que o chamei quando, na festa dos 80 anos do Luiz Geraldo Mazza, anos atrás, partilhei a mesa com ele. Foi nosso último encontro. Ele sempre um fidalgo.
A devoção desse ponta grossense, 88 anos, que o anjo da Morte levou no domingo, ao legado de Getúlio Vargas, era parte de um culto muito especial que Léo e um sem número de brasileiros expressavam publicamente no país todo, até poucos anos passados. Esse ato era visível em Curitiba, em data certa.
Lembro muito que uma das pautas obrigatória nos jornais e TVs dos anos 1960/70, invariavelmente, era cobrir aquela cerimônia na Praça Tiradentes em que alguns trabalhistas históricos (tinham sido membros do antigo PTB, fundado por Vargas) curvavam-se diante da estátua do “pai dos pobres”, faziam reverências, discursos exaltados, e colocavam flores no monumento em bronze. A Carta Testamento, aquele documento que GV deixou no leito de morte, “para entrar na História”, era recitada pelo grupo como um credo religioso. Uma profissão de fé. Se o forte da cerimônia tocante eram os discursos, a fala “de arrancar lágrimas”, de Léo, dava sinal para o encerramento do ato.
Outro que por muitos anos não faltou à cerimônia do 24 de agosto – data do suicídio de Getúlio, em 1954 – era o ex-senador Rubens de Mello Braga, pai da jornalista Marilena de Mello Braga. Era cunhado de Léo.
Quem passou pela redação do antigo Diário do Paraná, do grupo pioneiro, se lembra bem da agilidade do jovem repórter Léo. Gente como René Dotti e Eduardo Rocha Virmond pode testemunhar de antenados eram os repórteres Léo e José Richa, que lá dividiam espaço com eles, na Rua José Loureiro, 111. Faziam uma espécie de vestibular à vida pública que depois teriam.
Léo de Almeida Neves, advogado e economista, foi o último diretor geral da Carteira de Crédito Agrícola e Industrial do Banco do Brasil, antes do movimento militar de 1964. Era poderosíssima, por ela passavam todos os pedidos de empréstimos do agronegócio e da indústria que se fortaleciam.
Mesmo incorruptível, foi perseguido pós 64, e safou-se de acusações infundadas. Deu a volta por cima, dirigiu importantes organizações empresariais, como a Companhai Cacique de Café Solúvel.
Na vida pública, ocupou outras posições de relevo, como a presidência do Banestado, Delegado regional do INPS, Diretor do IBC e presidente do Conselho da Copel. Foi deputado estadual e federal. Sempre pelo antigo Partido Trabalhistas Brasileiro.
