
Hoje em dia seria inconcebível escrever como lema de uma cidade uma expressão tão restritiva à mulher, como o da cidade de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro: “Ipsae matronae hic pro jure pugnant”.
Traduzido para o bom português, o lema da cidade de Garotinho e Rosinha Garotinho, ex-governadores do RJ e de tão tristes feitos no Governo, garante: ”Aqui até as mulheres lutam pela justiça”.
A expressão tem forte dose de excepcionalidade, ao encarar a mulher em suas possibilidades de lutar, reivindicar, clamara por justiça como algo excepcional. Não seria de sua natureza, é o que se depreende da frase.
Nos dias de hoje, com a mulher justamente se impondo em todos os campos de ação e pensamento, o melhor seria – é o que me sugere um ex-professor de latim – reescrever o dístico para: “Aqui, todos, homens e mulheres, lutam pela justiça.”

LEMA DE CAMPOS DESABONA? (2)
Campos de Goytacazes era, em 2013, a sétima cidade de maior PIB do Brasil, grande parte devido aos royalties do petróleo. É a maior cidade do interior do Estado do Rio, com cerca de 500 mil habitantes. Começou a existir a partir de 1626, de fato, quando os jesuítas e beneditinos conseguiram lá pacificar os indígenas.
Como curiosidade, registre-se: em 1982 o papa João Paulo II criou, com sede em Campos dos Goytacazes, a Administração Apostólica São João Maria Vianney cuja característica é a de fazer as celebrações segundo o Ritual de Pio V, em latim. Assim, atendeu à demanda de parte da população que vira nascer ali um braço dito cismático da Igreja, com padres e bispo aliando-se ao fundador da Fraternidade São Pio X, o suíço dom Marcel Lefebvre.
