
(Do GDia)
A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público do Paraná (MPPR) contra 22 policiais militares acusados de integrarem uma organização criminosa que atuava em Foz do Iguaçu e região no desvio de mercadorias contrabandeadas, apreendidas com “muambeiros”.
A denúncia foi apresentada por meio do Núcleo de Foz do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e foi recebida pelo juiz Leonardo Bechara Stancioli, da Vara da Justiça Militar Estadual, de Curitiba. As investigações já estão bastante avançadas, mas não serão divulgados maiores detalhes neste momento. Com base no que foi apurado até agora, não se descarta a possibilidade que mais policiais estejam envolvidos na ação.
Os réus poderão responder por diversos crimes, entre eles, peculato, prevaricação e falsidade ideológica. Dos 22 investigados, 15 foram presos na Operação Desviados II, deflagrada pelo Gaeco, no dia 30 de junho deste ano. Os outros sete acusados foram alvos de busca e apreensão.
Além de Foz, a ação ocorreu simultaneamente em Medianeira, Missal, São Miguel do Iguaçu e Cláudia (MT). Os policiais recolheram, na ocasião, distintivos, armas de fogo, munições, coletes balísticos, cédulas funcionais, documentos, equipamentos eletrônicos, celulares, entorpecentes e dinheiro em espécie.
Os militares já identificados como integrantes do grupo criminoso foram afastados de suas funções. A Polícia Militar instaurou um procedimento administrativo para apurar o caso. Por conta do desfalque na corporação, foi necessário um remanejamento de agentes. A corporação destacou ainda que não admite que os policiais cometam crimes e que está prestando toda a colaboração possível nas investigações.
“Esquema bem formulado”
Os PMs investigados atuavam na abordagem de pessoas que transportam mercadorias paraguaias sem declaração fiscal. Utilizando do cargo público, os militares se apropriavam de parte dos produtos retidos, especialmente em rodovias, e liberavam os infratores em troca de silêncio.
De acordo com as investigações há, inclusive, diversos boletins de ocorrência registrados pelos acusados, com informações falsas ou sem descrição de mercadorias, na tentativa de legalizar as abordagens e facilitar o desvio dos materiais apreendidos. Todos os presos estiveram lotados na 2ª Companhia da Polícia Militar em Medianeira, que integra o 14° Batalhão em Foz.
Na ocasião da prisão a Justiça chegou a determinar a suspensão do exercício de função pública dos investigados e monitoramento eletrônico. Documentos e celulares apreendidos serviram como prova para os crimes.
PMs revendiam produtos apreendidos
Dentre as provas do esquema, há um vídeo divulgado pelo Gaeco onde é possível ver os policias fazendo a divisão de eletrônicos apreendidos em uma fiscalização. Em um trecho da gravação um dos agentes diz que se encontrará com um homem que vende produtos importados.
Conforme apurado, uma parcela dos produtos confiscados de forma ilegal pelos PMs era revendida de forma clandestina em sites, ou repassada a outros contrabandistas para a comercialização. O lucro era dividido posteriormente entre os envolvidos.
Na primeira fase da Operação Desviados, realizada em dezembro de 2019, foram detidos dez militares e três policiais civis que atuavam como operadores financeiros, receptadores e informantes do grupo. Uma terceira edição da ação pode ocorrer em breve.
