
Por Cleto de Assis, artista plástico
João Osório Bueno Brzezinski saiu da Toca pela segunda vez. A primeira, em 1968, quando expôs individualmente sua primeira mostra na Galeria Toca, criada por seu colega do Colégio Estadual do Paraná, no ensino médio, e da Escola de Belas Artes, Cleto de Assis, também artista plástico, ambos de 1941. A segunda saída da toca é metafórica: coincide com a mostra inaugurada na última quinta-feira, 18 de novembro, no Museu Guido Viaro, na qual o polêmico artista abriu seu baú e apresenta ao público curitibano uma série de obras diversificadas, uma mistura de seus vários tempos de produção, muitos documentos pictóricos de crítica social, de reflexão irônica sobre a vida e as relações sociais.

Nesta sua abertura do esconderijo doméstico, surgem obras de diversos períodos – ante, durante e pós acadêmicas – que João Osório não se encabulou em exibir, como um autorretrato pintado em 1960, quando iniciava a batalha com os pincéis e as tintas, até as mais ousadas instalações, passando pela busca de texturas inovadoras, onde tecidos de aniagem, até então serventes de embalagens rudes, adquiriram, nas mãos do pintor, novo e mais nobre contexto estético. Por isso, o título da mostra: “Os inéditos e já esquecidos”.

O professor e crítico de arte, Fernando Bini, que apresentou a exposição, conclui, em sua análise, que a “inventividade de [João Osório] é inesgotável, ele é contestador e provocativo, por vezes atrevido e irônico, mas sua obra nunca está totalmente acabada, ela espera por nós, pela nossa reflexão”. A mostra permanece aberta até 21 de janeiro, no Museu Guido Viaro (Rua XV de Novembro, 1348), de terça a sábado, das 14 às 18 horas.

