
A posse do embaixador João Almiro na Academia Brasileira de Letras, em 28 de julho, Rio, será um pouco paranaense também, pois o escritor que se notabilizou por romances que têm Brasília como epicentro, tem amigos no Paraná e toda a família da mulher, a pintora Bia Wouk, é curitibana legítima.
No rol de admiradores muito próximos de João Almino inscrevo Jaime Lerner que por vezes o visitou e a Bia, quando Almino era o cônsul do Brasil em Madri. Desse rol faz parte, também, o jornalista Fábio Campana, interlocutor de João quando ele e Bia estão em Curitiba, assim como Jaime Lechinski e Leila Pugnaloni.
DEMOCRATAS
Eu, de minha parte, me considero não apenas um admirador da obra de João Almino, a que fui introduzido lendo “Democratas Autoritários”, um dos primeiros livros em que o homem de espírito e analista da história política brasileira fez repousar seu olhar profundamente examinador de nosso inventário democrático. Coloco João, Bia e as filhas no meu melhor inventário afetivo.
VELHA ADMIRAÇÃO
João Almino é um amigo querido, cultivado desde o final dos 1970s. Na verdade, conheço Bia desde criança. Ela filha de um dos personagens que mais embalaram minha mocidade sequiosa de alimento cultural: o linguista (UFPR) e professor de Português, Miguel Wouk, e a catedrática Maria das Dores Figueiredo Wouk (também UFPR), a quem devo uma boa base do idioma Francês, aprendido exclusivamente no antigo Ginasial do Colégio Estadual do Paraná (CEP). Eram tempos em que essa escola era modelar para o país, e a escola pública de qualidade formava uma ampla elite cultural.
CONVITE PESSOAL
Agradeço a João Almino pelo convite pessoal que me mandou. Não poderei ir à grande noite na Casa de Machado de Assis, o majestoso endereço da “Glória que fica”, na Avenida Presidente Wilson, Rio.
OLHAR MADURO
Por inarredável dever de justiça quero registrar que o que mais me impressiona em João não são suas qualidades de escritor. A mim me impressiona a capacidade com que o diplomata, quando suscitado, discorre sobre o Brasil, suas possibilidades, suas limitações – tudo com um olhar maduro de quem sabe enxergar o país. Não apenas por dever profissional, mas porque os traços de seu fino espírito esmeram-se em sublinhar as realidades brasileiras, nem sempre dimensionáveis à primeira vista. Nisso é um campeão.
Impossível não ouvi-lo como o homem de espírito diferenciado que é, e no qual o conhecimento de nossa realidade transborda, assessorado pela plenitude de múltiplo ferramental.
