A declaração de bens do alcaide enviada à Justiça Eleitoral chega a ponto de atribuir R$ 693,98 a uma gravura de Marcelo Grasman, um dos artistas mais bem cotados no mercado de artes do país. É subestimar a inteligência do eleitor e a capacidade de investigação de quem quiser confrontar os dados de Greca
A declaração de bens de Rafael Valdomiro Greca de Macedo à Justiça eleitoral é, no mínimo, risível. Para não dizer que não suporta a qualquer exame mais acurado. Uma superficial pesquisa em galerias de arte de porte, de Curitiba ou São Paulo, mostrará a flagrante não verdade constante da tal declaração.
Se não, vejamos: a um óleo sobre tela, de Tomie Otake, dos artistas plásticos mais valorizados no mercado internacional, o alcaide atribui um valor irrisório, R$ 1.000,00. Qualquer quadro de Tomie andará, no mínimo , pela casa dos R$ 20 a 50 mil. Ou mais.
A subvalorização apresentada ao juízo, dessas obras de arte, é tão gritante quanto a subvalorização de outros bens do alcaide, como a “dasha” que mantém em Piraquara. Ele diz que as casas de madeira e material (com 3 andares) valem não mais que |R$ 7 mil… Pode?
NO EM PINHAIS
Anote mais: além de não ter igualmente mencionado ser dono de parte duma pedreira em Piraquara (próximo a sua chácara/”dasha” São Rafael, Greca atribui valor de apenas R$ 30 mil a um terreno valorizadíssimo em Pinhais, adquirido ao espólio de seu tio Ângelo Greca, que, sei , foi uma alma boa. Ele protegeu Rafael de muitas barbaridades por ele praticadas, às vezes tendo de agir em comum acordo com o temível delegado Paulo Sotto Maior Lago (in memoriam).
TERRERRENO N14 QUADRA 13 PL ESTANCIA PINHAIS, ADQUIRIDO ESPOLIO ANGELO GRECA 20/02/2001 Terreno R$30.000,00.
LEMBRA PORTINARY
Outra barbaridade é atribuir a uma tela de Luiz Carlos de Andrade e Silva, um dos fieis discípulos de Portinary, e que marcou época no Paraná com seus quadros mostrando desigualdades sociais, apenas R$ 693,98.
A propósito: esse número – 693,80 – se repete outras vezes, dando ideia de ter conotações mágicas, para desvalorizar obras de arte do alcaide. Até por isso pergunto: e as obras tão decantadas de Sergio Ferro, com as quais ele tantas vezes se exibiu em fotos em sua chácara, quanto valem na real?
PASSO A PASSO
OBJETO DE ARTE – PIETA – LUIZ C. DE ANDRADE LIMA VLR IRPF
Jóia, quadro, objeto de arte, de coleção, antiguidade, etc. R$693,98
OBJETO DE ARTE – GRAVURA DE MARCELO GRASMAN VLR IRPF
Jóia, quadro, objeto de arte, de coleção, antiguidade, etc. R$693,98.
OBJETO DE ARTE – UM OLEO SOBRE TELA 1MX1M RECEBIDO POR DOAÇÃO DO ARTISTA TOMIE OTAKE VLR IRPF
Jóia, quadro, objeto de arte, de coleção, antiguidade, etc. R$1.000,00
OBJETO DE ARTE POTY 90 N 85-A 22290 LARGO DA ORDEM 26X38 CM VLR IRPF
Jóia, quadro, objeto de arte, de coleção, antiguidade, etc. R$693,98;
TEM ROGÉRIO DIAS
A declaração de bens contemplo quadro de Rogério Dias, o artista dos passarinhjos, 1 m X 1m, ao qual Greca atribui valor de apenas R$ 2.ooo; mas o forte mesmo seriam os investimentos no Banco do Brasil, R$ 68.511,79.
QUADRO DE ROGERIO DIAS, 1MX1M ACRILICO SOBRE TELA VLR IRPF
Jóia, quadro, objeto de arte, de coleção, antiguidade, etc. R$2.000,00
CRUCIFIXO DO SÉCULO XVIII
A lista de bens artísticos é ampla. Continua apresentando aquele número mágico, em muitos casos, R$ 693,98; O impressionante para um antiquário ouvido pela coluna é que Greca tenha atribuído a um crucifixo do século XVIII o valor de apenas R$ 693,98. Esse valor não compra nem um anão de jardim.
Já uma gravura de Di Cavalcanti ser cotado como valendo apenas R$ 1.000,00 é abusar da paciência do eleitor.
A declaração é ampla, aparentemente minuciosa. O que salta e a discrepância entre o valor real das obras de arte e o atribuído a cada uma. No final, o alcaide informa ter bens no valor de R$ 864.000,00.
