terça-feira, 12 maio, 2026
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IAP PREVÊ AJUDA FINANCEIRA À UFPR NOS ‘MOLDES AMERICANOS’

Hélio Gomes Coelho Junior: amplo olhar do Instituto; Getúlio Vargas: herança antiga
Hélio Gomes Coelho Junior: amplo olhar do Instituto; Getúlio Vargas: herança antiga

Presidente do Instituto dos Advogados do Paraná (IAP) desde 2017, ano do centenário da instituição, o advogado Hélio Gomes Coelho Júnior acalenta um projeto: criar um fundo de doadores para ajudar a universidade naquilo que ela necessitar. A proposta de Coelho Júnior engloba todas as necessidades da UFPR, da infraestrutura à biblioteca, do material de laboratório à pesquisa.

A GUERRA DA DOAÇÃO DE LIVROS

Em depoimento ao livro “Vozes do Paraná 10”, que será lançado em 25 junho deste ano (na Sociedade Garibaldi), o presidente do IAP criticou a burocracia das universidades públicas citando o caso das doações de livros, que costumam ser dificultadas por trâmites burocráticos que ele julga incompreensíveis ou irrazoáveis. “Entregar livros para a universidade é quase uma segunda guerra mundial”, compara.

ESCONDIDOS NO ARMÁRIO

Talvez seja. Em tese, as bibliotecas universitárias deveriam receber quaisquer doações e classificá-las como quisessem. O livre-arbítrio determinaria a consulta ou não por parte do usuário. Mas não é assim que funciona. Há uma espécie de seleção editorial ou “índex” que nem sempre leva em conta apenas o caráter acadêmico, didático ou científico da obra e isso é preocupante. Em tempos passados, na Biblioteca Pública do Paraná, ocorreram casos em que obras que não rezavam segundo a cartilha de um funcionário graduado, eram escondidas em um armário. Não é o caso da UFPR, mas há certamente um viés ideológico perpassando as estantes de livros.

LIBERAL E IDEALISTA

Coelho Júnior é um liberal e, por conseguinte, um idealista. Crê na tradição das universidades americanas, no modo como elas obtêm recursos para sustentar seus projetos acadêmicos através de doações e considera que a mesma estratégia pode ser adotada nas universidades públicas brasileiras. Sem retoques.

S.O.S. UNIVERSIDADE

O projeto ainda é uma ideia embrionária, mas já vislumbra de imediato a reunião de um grupo de 10 ou 12 advogados para contribuir financeiramente com a UFPR e socorrê-la em suas necessidades mais urgentes.

REFORMA TRABALHISTA

O presidente do IAP é um amante da rotina. Desde os anos 70, quando se associou a um escritório de advocacia em Curitiba, ele cumpre um roteiro que divide atividades matinais com uma jornada de até 12 horas de trabalho. “Quanto mais você trabalha mais você tem sorte”, diz.

Advogado trabalhista empresarial, ele vê a reforma promovida pelo governo Temer no setor com certa reserva.

SÓ COM 10 ARTIGOS

Diz que, no princípio, a proposta da reforma trabalhista tinha apenas dez artigos, mas a “demanda reprimida” da classe empresarial tornou-a um paquiderme de mais de 200 itens. Ele não é exatamente um crítico do que se produziu. Lembra, por exemplo, que o fim da contribuição compulsória aos sindicatos, atacada pelos representantes de categorias, também vale para as entidades empresariais e os efeitos serão idênticos.

SINDICATOS ‘SE VIREM’

O portento e a estrutura administrativa das entidades certamente serão enxugados em curto espaço de tempo. Aos sindicatos caberá retomar campanha de arrecadação e bater à porta dos trabalhadores para resgatá-los. Nada mais justo.

SEPTUAGENÁRIA INTOCÁVEL

“A verdade é que, independente do viés ideológico do regime de plantão, em 75 anos nenhum governo quis rever a CLT”.

A CLT, nascida no primeiro governo Vargas, com vistas especialmente à cidade, onde se concentrava a grande massa de trabalhadores, nas indústrias, sofreu ao longo dos anos muitas alterações. Recebeu adendos.

Mas o espírito da CLT permaneceu o mesmo, como lembrou Hélio Gomes Coelho Junior.

Agora foi dado o primeiro passo para a revisão.

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