domingo, 10 maio, 2026
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HUGH HEFNER, O HOMEM “MAIS FELIZ DO MUNDO”

Hafner e seu plantel
Hafner e seu plantel

Se você quer saber quem foi Hugh Hefner, o fundador da Playboy, morto na quarta-feira aos 91, leia “A Mulher do Próximo” de Gay Talese. Boa parte do livro é dedicada a Hefner. Talvez porque ele tenha sido a cara da revolução sexual americana.

Talese, digno representante do novo jornalismo e autor, entre outros, de “O Reino e o Poder”, sobre o The New York Times, passou dez anos pesquisando o comportamento dos americanos sob os lençóis na década de 70 e descobriu no fundador da Playboy o seu ícone.

SEXO/VULGARIDADE

Entre outras coisas porque ele tinha um propósito: retirar o verniz da vulgaridade do sexo e dar a ele um toque de luxo. Foi o suficiente para construir um império. Em 1953, quando lançou o primeiro número da Playboy, Hefner comprou as fotos de uma atriz de pouca fama, uma tal de Marylin Monroe, e fez dela a sua capa. Vendeu 50 mil exemplares. O suficiente para dizer a que veio no concorrido mercado das revistas masculinas.

FALHA DO NYT

O “The New York Times” erra no obituário ao afirmar que Hefner trabalhava na “Childens Adventure” antes de embarcar no projeto de sua própria revista. Ele era um dos redatores da “Esquire” e pediu demissão depois que ver seu pedido de aumento foi recusado. Ele tinha 27 anos, era recém-casado e tinha um filho. Estava, portanto, a bilhões de anos-luz do sátiro em que se transformaria, cercado de mulheres e, a julgar pelo robe de seda, sempre pronto a fazer com as loiras ao seu lado o que milhões de adolescentes e marmanjos sonhavam em todo o planeta.

PLAYBOY: SOB CENSURA E HERÉTICA

No Brasil, a Playboy desembarcou nos anos 70, por iniciativa da Editora Abril, com o título de “Homem”. Comprava conteúdo da revista mas a marca era outra história.

Capa da primeira PlayBoy
Capa da primeira PlayBoy

Vivia-se a censura e o nu frontal das modelos era proibido. As pontas dos seios também saíam retocadas. Aparentemente, os homens de coturno – de quem os fiéis de Bolsonaro têm santa saudade – arrepiavam-se com o detalhe libidinoso.

ABUSOU E LAMBUZOU

Quando assumiu o nome “Playboy”, a revista abusou e lambuzou. Foi quando Adriane Galisteu surgiu fazendo cabelo, barba e bigode e vendeu horrores – se é que você me entende. Claro, a Playboy também foi (e é) uma revista famosa pelas entrevistas, pelos artigos e pelos ensaios de luxo e esplendor. Ou pelo menos é o que alegam os maridos às suas mulheres.

A falta de controle de conteúdo editorial das licenciadas não poupou o império Hefner de alguns constrangimentos. A edição lusitana da “Playboy”, por exemplo, publicou um ensaio com Jesus Cristo e uma suposta Maria Madalena em vestes mínimas. O horror. Não pela heresia.

Mas pelo mau gosto.

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