
Com o pronto-socorro fechado devido a superlotação de pacientes internados com sintomas de Covid-19, o Hospital Universitário (HU) de Londrina, no norte do Paraná, enviou um pedido para as 98 prefeituras da região para que sejam tomadas medidas restritivas. O hospital aponta risco de colapso no sistema de saúde caso o pedido não for aceito com urgência.
O HU reconhece que medidas como o lockdown, que seria o fechamento total, incluindo o comércio, são antissociais e difíceis de serem implantadas devido à condição social e econômica. O hospital afirma que a adoção das restrições é necessária e deve estar aliada à ampliação dos testes de Covid-19 e ampla vacinação.
O Hospital Universitário, que é referência no atendimento de casos positivos ou suspeitos de Covid-19 para Londrina e outros 97 municípios, pede que sejam adotadas as seguintes medidas: Suspensão ou limitação no número de pessoas em eventos sociais e espaços para festas Proibição de filas e aglomerações, com aplicação de multa Restrição de atividades esportivas coletivas, inclusive condomínios Limitação de reuniões familiares a no máximo 10 pessoas Proibição da circulação de pessoas das 23 às 5h Fechamento de bares e casas noturnas Imposição de lei seca em todos horários Restaurantes abertos, mas com distanciamento de 1,5m Suspensão da gratuidade para idosos nos ônibus nos horários de pico Ampliação da frota do transporte público para atender os demais passageiros sentados Segundo o hospital, são necessárias pelo menos duas semanas de controle rigoroso, que é o período médio de incubação da doença, para só assim ter um fôlego no sistema de saúde neste período pós-carnaval.
Superlotado há vários dias
Há vários dias o HU tem recebido e atendido pacientes além da capacidade. Na quarta-feira (24), a instituição decidiu fechar o pronto atendimento por 24 horas e assim suspender internamentos. No dia anterior, na terça-feira (23), o local já tinha fechado por 12 horas. Além da superlotação de leitos, na quarta-feira ambulâncias voltaram a formar filas de espera em frente hospital.
Segundo a Superintendência do Hospital Universitário, as equipes estão com dificuldade para remanejar internações em meio à superlotação. Na noite de quarta-feira, a ocupação do pronto -socorro chegou a 183%, dentre casos confirmados e sob investigação de Covid-19. O hospital de retaguarda para coronavírus chegou a 118% de ocupação.
Regulamentação das atividades
Atualmente, o decreto estadual estabelece toque de recolher e proíbe a circulação a partir da meia-noite, mas a fiscalização é motivo de críticas. Além disso, há decretos municipais proibindo a prática de esportes coletivos, mas as concentrações voltaram a ocorrer. No fim do documento, o HU pede que seja reavaliado o horário de funcionamento do comércio de rua e shoppings, com diferentes horários de entrada e saída para reduzir o contato entre os funcionários.
Em momento algum o HU pede o fechamento total e a própria Associação Comercial e Industrial de Londrian (Acil) aponta que isto não seria o melhor caminho. Em relação aos espaços religiosos, o HU solicita que seja reavaliada a autorização para a abertura das igrejas porque muitos templos não estariam cumprindo as medidas sanitárias.
Alguns destes pedidos reforçam um documento enviado pelo Ministério Público à Justiça. A promotoria solicitou o fechamento de bares, academias e igrejas. Também que outros estabelecimentos comerciais sejam proibidos de servir bebidas alcoólicas durante refeições para reduzir o tempo de permanência e contato entre as pessoas. O Tribunal de Justiça ainda vai analisar estes pedidos que a promotora Susana de Lacerda considera indispensáveis neste momento. O HU ainda aponta que nenhuma medida pode ser tomada isoladamente e com o cansaço da população em relação à pandemia, é necessário pensar em novas alternativas, pois sem a adesão da população será impossível o seu controle.
(Do G1)
