sábado, 25 abril, 2026
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Hora da realidade: “habemus praefectus” saudosista

Prefeitura de Curitiba
Prefeitura de Curitiba

As eleições terminaram. Temos um prefeito saudosista. Esta é a primeira constatação.

No entanto, Rafael Greca de Macedo, assim como os demais eleitos, terá a partir de primeiro de janeiro de viver o grande desafio da realidade, distante dos palanques, e enfrentando, a partir daí, os reclamos de seus eleitores e também dos que não lhes deram seus votos.

Os prefeitos saem dos debates e programas televisivos para a dura realidade do hoje, 2016, e do não menos pior ano de 2017.

A batalha real começará com o choque entre o prometido e o possível diante da realidade deste país em que as prefeituras estão – na sua maioria – literalmente quebradas.

Curitiba, se não está quebrada, como resultado de um conhecido pão-durismo e/ou rigor fiscal de Gustavo Fruet e sua irmã, a secretária da Fazenda Eleonora, quase nada terá para investir. Mesmo assim está, imaginem, dentre as poucas cidades não à beira da quebradeira.

CAIXA BAIXÍSSIMA

Rafael Greca e Ney Leprevost
Rafael Greca e Ney Leprevost

O amplo e irrestrito comprometimento do caixa municipal com áreas essenciais – saúde e educação, além da folha de pessoal – é um fato que Fruet jamais negou.

Quase nadinha sobra do orçamento de Curitiba para investimento.

Mas justiça se lhe faça: Fruet foi um contido (por vezes chegando ao exagero) em alçar voos.

O resultado pode ser até bom para quem herda a Prefeitura – no caso, um tradicional ‘gastão’, como Rafael Valdomiro Greca de Macedo. Isso se Greca colocar o bom senso acima da sua grandiloquência e o tom do “magister dixit” com que se expressa e vive.

Esse, pois, é primeiro desafio, quase impossível de ser respondido por alguém que perdeu o rumo de gestor quando perdeu o seu ‘preceptor/gerador’, Jaime Lerner. E que, ao assumir o Ministério do Esporte Turismo, acabou gerando o escândalo das naus que não saíram do lugar, entre outras fraquezas.

UMA LOUCURA…

Resta saber se a contenção orçamentária será suficiente para interromper as deambulações eivadas de promessas e mais promessas apregoadas por Greca ao eleitor. Uma delas, por exemplo, a de construir 3 mil quilômetros de ruas pavimentadas na cidade. Uma loucura!

É verdade que, diante de cutucões certeiros recebidos de gente com os pés no chão, Greca acabou desidratando seu mundo onírico da pavimentação de vias da cidade. Os 3 mil viraram 300 quilômetros de asfaltos. Mesmo assim…

MUNDO REAL

Greca terá de cair imediatamente na realidade, um duro desafio para o sessentão que promete voltar a anos dourados, à Curitiba que, nos seus devaneios, procura apropriar-se do passado da cidade montada pelo gênio do urbanismo Jaime Lerner (estão rompidos pessoalmente).

TENOR CARRERAS

Mas não, a Curitiba de hoje não mais tem o charme dos tempos de Lerner, não atrai gente do porte de Vinicius, Tom, Gil, Caetano… Nem é mais a cidade que se concedeu a loucuras como o quase milhão de dólares investidos com a apresentação de Carreras na Ópera de Arame (é certo, ocorreu com algum pequeno aporte da iniciativa privada). Esse foi uma das melhores expressões do espírito megalomaníaco do novo prefeito.

Claro que Greca deixou marcas boas e eficientes na cidade, como os faróis do Saber e as Ruas da Cidadania.

‘NÃO SONHÁTICOS’

A passagem de Greca pela Prefeitura terá como desafio maior ele encaixar-se na realidade do Brasil em recessão, e sob uma crise que, sendo otimista, só passará em 10 anos. Isso, segundo garantem homens público não sonháticos, que trabalham as contas sob a ótica da velha contabilidade – entrada e saída de recursos.

HORA DO JORNAL

Voltamos à vida real, a do horário certo do Jornal Nacional. Os ânimos políticos ficam amortecidos, por ora.

O deputado Ney Leprevost (PSD), por sua vez, foi a grande revelação política de 2016. Partiu de um inexpressivo terceiro/quarto lugar nas pesquisas de primeiro turno para enfrentar o experiente Greca de Macedo.

Perdeu a guerra, depois de uma batalha bonita, em que expôs projetos para a cidade, alguns até sonháticos, mas no geral adequados à realidade. Os voltados à área de saúde expuseram a notório expertise de Leprevost nesse universo que é calcanhar de Aquiles dos governos.

BAIXARIAS

Leprevost não foi poupado, no entanto, da onda de depredações morais que pautaram a campanha de Curitiba, em que se discutiam temas bizarros – como a preferência sexual de um dos candidatos – ao envolvimento (nunca comprovado) de um parente de um dos prefeituráveis em negociatas com ONG.

Resumos são sempre possíveis depois de eleições renhidas como a do segundo turno em Curitiba. O mais correto deles direciona Greca a cair na real, deixar os beijinhos e demonstrações acendradas de afeto diante de fotógrafos, para horas mais íntimas, e partir para “a grande batalha”. Que poderá até lembrar a do bíblico Armagedon. Sem exageros, pois “sinais do final dos tempos” impulsionaram significativa parte de um eleitorado que vê no seu Município o último fortim a recorrer.

E esse eleitorado vai cobrar a conta, salgada muitas vezes pelos horizontes turvos desta Curitiba (e Brasil) de hoje.

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