
Tudo sob a desculpa de precisar de recursos para obras públicas. Assunto já está na lupa de preservacionistas, como o deputado Goura, e entidades voltadas à preservação do meio ambiente…
Em 10 dias, o prefeito Rafael Valdomiro Greca autorizou (*) a retirada de quase 12 milhões de dois fundos ambientais. Sob a justificativa de que houve superávit em 2020 no Fundo Municipal do Meio Ambiente e no Fundo Municipal de Saneamento Básico, o secretário municipal de Finanças, Vitor Puppi, fez dois saques, um de R$ 6,97 milhões e outro de R$ 4,89 milhões. O repasse foi para fazer obras de viárias e obras de manutenção da cidade. Com a retirada de recursos da área ambiental, Greca pode continuar a sua política que “asfaltar é governar”.
O uso do dinheiro dos fundos ambientais faz parte de uma estratégia para cobrir a falta de recursos municipais. Nos diversos contratos de pavimentação viária, a Prefeitura precisa dar a contrapartida que pode ser de até 40%, conforme o convênio firmado. Para isto, a Finanças está pegando dinheiro de onde pode para manter as obras em andamento.

TUDO PELAS OBRAS
Greca, antes de ter sido internado por causa do avc, bateu na mesa em reunião de secretários municipais, determinando que não fosse interrompida nenhuma obra em 2021. Com isto, a tropa obediente de secretários está seguindo à risca a ordem. A manobra para garantir dinheiro, uma espécie de pedalada fiscal, acaba afetando projetos importantes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Em 2018, na gestão do ex-governador Cida Borghetti, foi firmado um acordo com Curitiba entre a Prefeitura e a Sanepar, que garantiu R$ 126 milhões em obras da Sanepar e aporte para o Fundo de Saneamento.
TUDO TEM SEU CUSTO…
A retirada de recursos do fundo deve prejudicar importantes programas de despoluição dos rios, como o Belém. Entre as ações programadas estão a identificação de pontos de esgotos irregulares ou a recuperação da mata ciliar dos rios. Ou pode atingir programas de combate as cheias. Como o prefeito continua convalescente, ninguém se atreve a desrespeitar a ordem dada. E a opção continuará sendo asfalto no lugar do meio ambiente. Ontem mesmo uma comissão de jovens preservacionistas estudava texto final de um documento de protesto contra desvio dos recursos da área ambiental. A proposta, dizem fontes seguras, será “fazer ação conjunta com homens públicos comprometidos com a causa ambiental, como Goura”.
