domingo, 10 maio, 2026
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FUTEBOL DOS TEMPOS DE SALDANHA, NO OLHAR DE EDSON MILITÃO

Edson Militão: futebol antes de tudo; João Saldanha
Edson Militão: futebol antes de tudo; João Saldanha

No ano anterior à Copa do Mundo da Itália, em 1990, o jornalista paranaense Edson Militão foi convidado para narrar jogos na antiga TV Manchete. Eram tempos em que a emissora da família Bloch respirava, ainda que com a ajuda de aparelhos. Na grade de programação brilhava a novela “Kananga do Japão”, no horário matutino, Xuxa, recém-saída das capas de revistas masculinas e do namoro com Pelé, apresentava programa infantil, os telejornais despejavam notícias, certos de que não seriam furados por um site na internet, que nem existia. Quanto ao futebol, era democrático. Abastecia todos os canais e, raramente, a não ser na Copa do Mundo, era maculado pela exclusividade imposta pela Rede Globo.

GOL DE PLACA

Dono do programa “Gol de Placa” na OM (depois CNT), e crítico pertinaz do então presidente da Federação Paranaense de Futebol, Onaireves Moura, cujo primeiro nome era Severiano ao contrário, Militão foi demitido sem prévio aviso da emissora, depois que o cartola garantiu à emissora dois anunciantes de peso.

Humilhado e sem dinheiro, ele foi a São Paulo a trabalho e acabou topando com Paulo Stein, diretor de esportes da Manchete. Stein já o conhecia de outras transmissões e o convidou para narrar os jogos que envolviam os times paranaenses no Brasileiro.

O GURU

Em uma das primeiras transmissões, no Rio de Janeiro, quando acompanhava o Coritiba, Militão deu de cara com João Saldanha. Era um sonho realizado. Saldanha era o seu ídolo. Não só. Era também o seu guru político e esportivo. Suas opiniões contavam tanto que ele as anotava em caderninho e quando a oportunidade surgia as repetia no ar, com a devida referência.

A ÚLTIMA VIAGEM

O jogo era Flamengo x Coritiba, no Maracanã. O time carioca venceu, mas Militão se importou. Estava ao lado do maior comentarista do mundo. Um mitômano sim, porque Saldanha era dado a exageros. Mas impagável em sua sabedoria futebolística. No ano seguinte, quando cobria a Copa do Mundo, já longe da Manchete e de Saldanha soube que ele havia morrido. Estava em cadeira de rodas e, mesmo assim, insistira para que a Manchete o enviasse a Itália. Quando a emissora recusou, pagou do próprio bolso a passagem e embarcou. Foi a derradeira viagem.

Para Militão, ficaram as lembranças, a chance de trabalhar lado a lado e a filosofia do velho treinador que um dia pôs no banco de reservas o craque Pelé.

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