
Fiquei impressionando, não pelo fato de o jornal Gazeta do Povo digital, em edição da semana, ter publicado com destaque matéria em que ultraconservadores católicos, incluindo bispos, estarem assinando manifesto contra o papa Francisco.
O grave é estarem acusando o pontífice de heresia, com endosso da GP.
Isso mesmo, uma admoestação pública sob o pretexto de “corrigir o papa” de seus ensinos ditos “heréticos”.
Francisco, o mundo sabe, é arauto da paz, da justiça social e da defesa dos direitos humanos.
“PROPAGANDO HERESIAS”
O surpreendente, para quem tem olhos para ler, foi o título da matéria da Gazeta do Povo: “Religiosos corrigem publicamente o papa Francisco por propagar heresias”.
E mais, prossegue o jornal: “62 intelectuais de 20 países divulgaram carta corrigindo posições heréticas do papa. É a primeira vez que isso ocorre desde 1333”.
OPUS DEI
Afinal, embora a Gazeta do Povo seja notoriamente vinculada à Prelazia Opus Dei, por meio do diretor-presidente do grupo RPC, Guilherme Doring Cunha Pereira, o que chamou mesmo atenção foi o tratamento jornalístico dado à matéria.
O assunto foi assinalado em título do jornal e “gravata”, como heresia na Igreja, sem as aspas, assim endossando – é o que sugere – as acusações dos católicos ultramontanos, um grupo de 62 pessoas.
AGORA, SEDE VACANTE
Um professor de Direito Canônico, de Curitiba, ouvido por este espaço, saiu-se com esta, em defesa de Francisco e condenando a falha de edição:
– Essa gente, os ultraconservadores, daqui a pouco estará pregando que temos, em Roma, sede vacante. Isso sim, será um passo para a apostasia…

