Milhões de reais para empresas de ônibus; os empregos comissionados em troca de apoio na Câmara; a nomeação de condenados por improbidade; o caso dos fraudadores de horas extras na GMC.
Câmara Municipal: docilidade
Os “luas preta” – como são chamados marquetólogos e assessores políticos, estão impressionados com a qualidade das perguntas que os seus candidatos a prefeito têm na ponta da língua.
Do jeito que vai, com tantos flancos deixados pelo prefeito Greca de Macedo, facilitando a vida deles, alguns dos marquetólogos temem até ser dispensados.
Seus chefes antecipam-se a eles nas propostas de enfrentamento da poderosa máquina da Prefeitura, e trazem perguntas e temas prontos.
Esse foi o tema que reuniu no final de quinta-feira, 17, num “happy hour” no bar de um hotel central estrelado, quatro coordenadores de comunicação de candidatos a prefeito.
É bom lembrar: um dos marquetólogos mais prestigiados é Marcelo Cattani que, se colecionou um rosário de desafetos na cidade, tem seus admiradores. Um deles, deputado Francischini, para quem trabalha hoje, depois – dizem – de ter rompido com o alcaide Greca, cuja eleição de 2016 deve-se a seu esforço, pontuado por algumas maldades imperdoáveis contra adversários do hoje alcaide. Uma de suas “vítimas” – lembram-se? – foi Ney Leprevost.
OS FUROS DA PREFEITURA
Os enormes furos que acomodada administração Greca exibe, sem adversários de peso até agora, com a Câmara controlada e os sindicatos de servidores temerosos de eventuais punições do alcaide, tudo indica que uma carga pesada vai comandar os debates. Os assessores não terão muito trabalho.
Ônibus expresso: milhões de reais para os ônibus
PERGUNTAS IMPERTINENTES
Quem vai ter trabalho é o prefeito, que deverá responder sobre questões legais, como: é possível empregar em cargo em comissão alguém condenado pelo TJPR por improbidade? ou explicar claramente a generosidade com que a Prefeitura contempla as empresas de ônibus com 200 milhões de reais…
EMPREGOS SALVADORES
Uma das questões que serão importantes para ajudar no processo de renovação da Câmara Municipal de Curitiba, envolve a docilidade com que pelo menos 30 vereadores obedecem cegamente às ordens do prefeito Greca.
A questão virá na indagação seguinte: “Quanto custa aos cofres públicos de Curitiba a obediência servil dos vereadores às ordens do alcaide, retribuída em forma de cargos comissionados?”
Paulo Demchuck: denúncia, depois esfriada
A QUESTÃO GRACIOSA
E há questões outras que desnudaram (em tese) possíveis relações promíscuas do prefeito. Uma delas, aquela feita no começo do ano pelo advogado Paulo Demchuck: “Por que o assessor preferido do prefeito, Lucas Navarro de Souza, frequenta a sauna do Graciosa Country Club, em situação que vai contra os estatutos do clube?”
A questão até chegou a ser levantada pelo vereador oposicionista (rara exceção) professor Euler. Depois foi retirada do ar, por ele e também por Demchuck, ex-diretor do Graciosa, pessoa com enorme peso moral no Country Club.
A força do “establishment” prevaleceu, tudo indica.
TANTA GENEROSIDADE
O que se aventou é que tanta generosidade devotada a Greca, para transitar com seu amigo Lucas em locais privativos de sócios, seria devido – uma possibilidade, fique claro – a facilidades que eventualmente o alcaide poderia ter acenado ao clube. Tal como a possível (em tese) liberação de autorização de obras nos domínios do “mais fechado” ponto de encontro do patriciado curitibano.
Em meio a essas situações previsíveis – digamos assim – haverá uma outra ampla pauta bomba de denúncias e indagações que aparecerá na campanha.