Assessoria – A gestão de patrimônio deixou de ser uma decisão restrita à escolha de investimentos e passou a exigir integração entre estratégia financeira, planejamento jurídico e eficiência fiscal. Esse foi o eixo do Fórum de Competitividade “Um olhar 360° na gestão do patrimônio: alinhando aspectos financeiros, estratégia jurídica e fiscal com foco no cliente”, realizado pelo World Trade Center Curitiba, no Espaço XP em Curitiba, que reuniu especialistas em sucessão, estruturas de holding, investimentos internacionais, governança familiar e proteção do patrimônio.
O debate contou com Camila Farinhaki, Unique Private Banker da XP Inc; Charles Mazutti, sócio da Mazutti, Ribas, Stern Sociedade de Advogados; e Helison de Souza, líder regional da XP Consultoria. Eles demonstraram que decisões patrimoniais tomadas de forma isolada podem gerar custos, riscos tributários e conflitos sucessórios. A avaliação dos especialistas é que famílias e empresários precisam considerar, ao mesmo tempo, liquidez, proteção de ativos, sucessão, governança, eficiência operacional e exposição internacional.
Gestão integrada e foco no cliente
Para Camila Farinhaki, a atuação dos profissionais envolvidos precisa partir de uma visão integrada e orientada pelas necessidades do cliente. A especialista defendeu o conceito de “olhar 360°”, que reúne o patrimônio financeiro e o imobilizado em uma mesma análise. Segundo ela, a gestão eficiente depende do equilíbrio entre as recomendações tributárias, jurídicas e financeiras, sem que uma decisão em determinada área comprometa as demais.
Também destacou a importância da imparcialidade na consultoria patrimonial. Nesse modelo, a recomendação não está necessariamente vinculada à concentração dos recursos em uma única instituição financeira. O objetivo é buscar as melhores condições para o cliente, inclusive por meio da negociação ou manutenção de investimentos em diferentes bancos e plataformas.
A experiência do cliente levou o debate para além dos números. Camila questionou quais são as principais preocupações das famílias quando a questão tributária é resolvida e direcionou a discussão para temas como proteção, continuidade e preparo dos herdeiros.
Nesse contexto, apresentou o programa Next Think, voltado à capacitação de jovens herdeiros, geralmente entre 20 e 25 anos. A iniciativa reúne participantes de diferentes famílias e aborda temas como gestão patrimonial, legado e negócios, com o objetivo de preparar a próxima geração para administrar os ativos e compreender as responsabilidades relacionadas à preservação do patrimônio.
Holding exige planejamento jurídico e fiscal
A estruturação de holdings foi um dos principais pontos da exposição de Charles Mazutti. O advogado alertou para a necessidade de analisar as regras estaduais e municipais antes de transferir imóveis ou participações para uma estrutura societária.
Segundo Mazutti, o Paraná possui uma particularidade que permite a avaliação de doações a valor de mercado antes mesmo das alterações legais previstas. A possibilidade exige cautela e planejamento, pois uma estrutura criada sem estudo adequado pode elevar o custo tributário e comprometer a finalidade da holding.
O advogado também lembrou que o ITBI é um imposto municipal recolhido no município onde o imóvel está localizado. Por isso, a mudança do domicílio fiscal do proprietário ou da holding não reduz a obrigação tributária.
Outro alerta envolve a fiscalização da chamada imunidade condicional do ITBI. Os municípios têm prazo de cinco anos para verificar a operação e, de acordo com Mazutti, alguns vêm adotando o entendimento de que a imunidade deve alcançar apenas o valor de custo da integralização do imóvel. A diferença entre esse valor e o preço de mercado poderia ser tributada, criando um risco adicional para as famílias.
