terça-feira, 5 maio, 2026
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Ex-editor do ‘The Guardian’ defende pacto do diabo com Google-Facebook

Alan Rusbridger
Alan Rusbridger

Ex-editor-chefe do jornal britânico “The Guardian”, Alan Rusbridger, diz, em entrevista à Folha de S. Paulo, que não há como escapar ao duopólio Google-Facebook e é preciso fechar com eles um pacto. Mesmo que seja um “pacto com o diabo”.

RESPONSABILIDADE E PODER

Rusbridger comandou o “The Guardian” por mais de 20 anos. Em 1997, criou o site do jornal e nunca permitiu a cobrança da edição on-line, como fez o “The New York Times” e como fizeram um sem-número de jornais no Brasil. “Trata-se de uma política de absorção de um público acostumado a ler tudo de graça”, diz ele. Como o Facebook e o Google não são sites de notícias, um acordo com as grandes empresas da internet será inevitável.

“Mark Zuckerberg (CEO do Facebook) já percebeu que há uma responsabilidade que vem como esse poder”.

MODELO DE NEGÓCIO

Google e Facebook detêm hoje 70% da publicidade digital nos EUA ante um jornal em versões impressa e digital cuja receita compreende a somatória de assinatura e publicidade. Para Rusbridger, as empresas jornalísticas devem rediscutir o modelo de negócio e trazer o leitor de volta à verdadeira fonte de notícia. “É comum encontrar alunos que me dizem que leram esta ou aquela notícia importante, mas quando pergunto de onde tiraram a informação, respondem que foi no Facebook. Mas e por trás do Facebook? Será que há uma fonte confiável?”

IMPRENSA É FILTRO

Até Trump, diz Rusbridger, é um aprendizado. Ele criou seus próprios canais de comunicação durante a campanha e, depois de eleito, manteve essa postura. Despreza a imprensa tradicional e fala através de seus próprios canais. O Twitter, por exemplo. Trata-se de uma estratégia de informação bem sucedida? Sem dúvida, responde Rusbridger. Mas é preciso agora que a sociedade disponha e lance mão dos filtros necessários para checar a veracidade da informação. E esse é essencialmente o papel da imprensa.

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