
Há muitos equívocos cometidos por jornalistas e até por acadêmicos da universidade, quando examinam as relações de igrejas evangélicas no Brasil com o universo da política.
UM CIPOAL
Na maioria das vezes, tais analistas tratam o mundo evangélico como realidade única, sem considerar justamente o contrário: as denominações evangélicas e protestantes em geral formam no Brasil um cipoal de mini-igrejas e macro-igrejas (como a Universal).
DUAS MIL IGREJAS
Seriam hoje pelo menos duas mil denominações, boa parte delas em constante multiplicação nos grandes centros, como Rio, São Paulo, BH e Porto Alegre.
Com esse olhar equivocado, chegam os analistas, por vezes, a referir-se “à igreja evangélica no Brasil” – como se houvesse só unidade eclesial, como a do catolicismo. E assim geram-se informações e análises deformadas. Uma delas, como a de a de atribuir a determinadas igrejas poder de voto que elas não têm.
A UNIVERSAL
A exceção nessa capacidade de eleger seus membros para cargos legislativos ocorre sobretudo em denominações de poder centralizador (episcopal), como a Universal, de Edir Macedo e a Renascer em Cristo, do casal Hernandes.

BRIGAS POLÍTICAS
E não se fale que reina a paz entre políticos evangélicos. Dou histórico exemplo de quanto o ex-deputado federal André Zacharow (batista) e o deputado Fernando Francischini (Assembleia de Deus) se digladiaram, sem gritarias, em torno do falecido hospital Evangélico de Curitiba, hoje Hospital Universitário Mackenzie, nas boas mãos dos presbiterianos.
LIMBO É O PRÊMIO
Zacharow está no limbo político em função de seus erros administrativos, e os Francischini já superaram as fronteiras de suas igrejas: hoje mostram-se até ecumênicos, tendo votos em muitos credos.
ISSO, SIM, SEPARA
Manifestações como as paradas Marchas para Jesus – em todo o Brasil -, podem ser o ponto de união desse universo que interpreta das formas mais diversas a leitura do Livro.
O que me parece mais claro é o quanto igrejas e denominações de todos os portes vão se separando por outras realidades além das partidárias.
USOS E COSTUMES
Agora vai ficando claro que muitas mini-igrejas e a poderosa Deus é Amor, fundada por David Miranda (in memoriam), seguem linha de estrita observância de usos e costumes (saias longas, cabelos compridos, sem maquiagem ou joias para as mulheres). E dessa linha não arredam; e proclamam claramente que “os outros” teriam deixado de ser crentes.

