domingo, 10 maio, 2026
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‘ESTAGIÁRIA’, DO LAR E RECATADA

Marcela Temer
Marcela Temer

A VOZ DOS COLABORADORES:

Por Marcus Vinicius Gomes

Digam o que quiser do governo Temer. Que ele é indigno, ilegítimo e passageiro. Mas não nos furtem a beleza de sua primeira-dama. Talvez a primeira como nunca dantes. Não vai aqui um pingo de insinuação a macular a foto além do que ela retrata. Não há devassidão nem maldade quando tudo o mais é beleza. É contemplação. Há algo de intocável, de santificado, de inviolável em Marcela que fez com que Millôr Fernandes, em crônica memorável, desprezasse aquela que vem e que passa para vislumbrar a mãe no passeio empurrando o carrinho de bebê entre os astros, distraída.

Ela não precisaria desfilar diante de olhares embevecidos. Os olhos se encarregam de seguir em seu encalço, o que não é difícil considerando que se trata de uma Parada de Sete de Setembro e há jaquetões demais a contrastar com um vestido que goza da mesma simplicidade de seu sorriso que é tudo menos enigmático.

HÁ AUTORIDADE NA BELEZA

Não se dê a ela o feitio de uma primeira-dama acostumada a compromissos sociais e incursões protocolares. Ela surgiu, como se fosse sua primeira vez, vestida em tecido diáfano, desfilando gesto paciente e o inclinar de cabeça delicadamente medido. Esqueça aquele que vai ao seu lado. Há autoridade suficiente na beleza. Ela inibe, constrange, nos apequena.

Millôr viu beleza semelhante dardejando seus olhos em um dia de sol à beira-mar. Fechou-os. E não a esqueceu jamais.

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