quarta-feira, 13 maio, 2026
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ESTÁ DEFINIDO: 200 VENEZUELANOS VIRÃO PARA O PARANÁ

Clovis Rossi: comparação com a Síria
Clovis Rossi: comparação com a Síria

Nos próximos 15 dias, o governo federal deve dar início ao processo de transferência de venezuelanos que estão em Roraima para outros estados brasileiros. Os primeiros a receber os refugiados – da fome, da inflação, da economia em frangalhos – são S.Paulo e Amazonas. Estes receberão 350 e 180 venezuelanos, respectivamente.

ABRIGOS E POSTOS DE TRABALHO

O perfil inicial é o de homens solteiros com qualificação profissional e que demonstraram desejo de permanecer no Brasil. A disposição do governo é transferi-los apenas para locais com vagas em abrigos e postos de trabalho previamente acordados com autoridades dos estados.

O Paraná também irá abrigar venezuelanos, mas ainda define os locais e os postos de trabalho que serão ofertados no estado. A previsão é de que o número de venezuelanos no estado não ultrapasse 200, o que corresponde à capacidade de empregabilidade e abrigo para todos.

As informações colhidas são de fontes extraoficiais, mas seguras.

HAITIANOS

Em 2015, o governo do Acre distribuiu haitianos pelo país sem prévio aviso dos governos locais. A atitude causou críticas e tornou a realocação do contingente de latino-americanos bem mais difícil. Hoje a situação tende à normalização, mas foi preciso três anos de esforços para abrigar todos os haitianos, principalmente no Paraná.

DUAS CAPITAIS

O quadro desesperador dos venezuelanos que chega ao Brasil em busca de trabalho, atendimento médico e, principalmente, de alimentos parece incontornável. Uma estatística recente dá conta de que 3 milhões já deixaram o país. São 10% da população de 32 milhões de habitantes.

Proporcionalmente, seria como se duas capitais de São Paulo fugissem do Brasil à cata de melhores condições de vida. A diáspora também atinge os Estados Unidos e países da América Central.

POBREZA EXTREMA

Estudo divulgado nesta quarta-feira (21) pela Ucab (Universidade Católica Andrés Bello) aponta que 87% dos venezuelanos sobrevivem com uma renda abaixo da linha da pobreza e 61% estão no patamar da pobreza extrema.

CESTA BÁSICA

Em 2014, quando a primeira pesquisa foi realizada, 48,4% das pessoas não tinham renda para comprar a cesta básica no país. Naquela época não tinham dinheiro sequer para adquirir os alimentos da cesta básica (pobreza extrema) 23,6%.

DISTRIBUIÇÃO DE CUPONS

Os venezuelanos emagrecem nove quilos por ano. O quadro revela que as medidas adotadas pelo governo para distribuir alimentos através de cupons se revelou ineficiente e propenso à corrupção.

A SÍRIA AQUI

O colunista Clóvis Rossi, da Folha de S. Paulo, comparou a situação da Venezuela com a da Síria conflagrada. Com uma diferença: a comunidade internacional ainda não se mobilizou para ajudar os venezuelanos que fogem da fome – a pior de todas as guerras. Talvez, por isso, diz ele, não haja consciência da gravidade da crise. “O fato de não ter havido uma guerra que motivasse o êxodo em massa (na Venezuela)”.

NOVENTA PAÍSES

“A Voz da Diáspora”, um observatório venezuelano com base na Espanha, informa que os refugiados estão espalhados por 90 países. O quadro é terrível e põe à prova a diplomacia brasileira, ela também estupefata com os acontecimentos que, cá entre nós, eram previsíveis.

Universidade Católica Andrés Bello: avalia pobreza
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