sábado, 25 abril, 2026
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Erros de Greca reforçaram cacife de Ney Leprevost  

96-ney-e“O Ney Leprevost não teve a ascensão que teve nos últimos dias por causa de propostas novas. Ele foi beneficiado pelos sucessivos erros do Greca, que o fizeram perder 8 pontos em poucas horas”, sentenciou à coluna segunda, 3, uma velha raposa do mundo político paranaense, que também sublinhou, como que encerrando o assunto:

– Nessa eleição, não houve padrinhos vitoriosos. Houve erros capitais de Greca que atingiram as classes mais altas e escolarizadas (no caso dos móveis de que ele teria se apossado da Fundação Cultural de Curitiba) e, na baixa renda (quando disse, em debate na PUCPR, que teria vomitado com o cheiro de um pobre que carregou em seu carro).

O próprio governador Beto Richa, que apoiou Greca, teria se afastado das campanhas, segundo registrou a Gazeta do Povo de segunda, 3.

 ÁGUAS PASSADAS

Primeiro turno, águas passadas.

O que não significa que os dois, Greca e Leprevost, não estejam olhando para o passado de poucas horas atrás para planejar a nova eleição, a do segundo turno.

Nessa visão retrocognitiva terão oportunidade de avaliar quão exagerados (para dizer o mínimo) foram em promessas eleitorais. Greca começou prometendo pavimentar 4 mil quilômetros de ruas em 4 anos; Leprevost não ficou por menos: prometeu baixar as tarifas do transporte urbano…

Esses olhares para o passado devem corrigir a doença infantil da imoderação verbal comum aos dois.

 ASSESSORES

Greca está muito bem assessorado: tem a seu lado um marqueteiro de alto coturno, o publicitário e jornalista Marcelo Cattani, que passou por posições importantes, como a Secretaria de Comunicação do Estado, e pela Master Comunicação.

 ARGENTINO

Leprevost está indo igualmente bem, com o marqueteiro e publicitário Paulo Garmatter, e com um publicitário argentino que há tempos assessora a família Ratinho.

O argentino ufana-se – dizem os que convivem com ele – de “ter assessorado o atual presidente Macri, da Argentina”.

 GIOVANNI

“Na verdade, o grande chefe da campanha de Greca, aquele que tem a palavra final sobre quase tudo, é o ex-secretário de Estado da Fazenda (governo Lerner) Giovanni Gionédis”, assegura-me jornalista com olhar privilegiado sobre o mundo das eleições locais.

De minha parte, o que posso dizer é que Giovanni, semanas atrás, negou-me que tivesse poder de decisão na campanha de Greca, de cujo casamento civil com Margarita Sansone, foi padrinho (junto com sua mulher, Louise) em 2015.

 BORGES DA SILVEIRA

Se Greca tem Giovanni, uma “fortaleza” com suas inestimáveis habilidades políticas, a campanha de Ney Leprevost está igualmente bem guarnecida. O “capo” da campanha de Ney, desde o começo, foi o ex-ministro da Saúde de Sarney, Luiz Carlos Borges da Silveira.

Borges, ex-deputado federal, ex-ministro da velha “raposa” Sarney, sempre esteve na crista da onda política. Nos últimos anos, por exemplo, foi secretário de Estado em Tocantins e nunca se afastou de militâncias políticas.

A Borges atribui-se todos os contatos e acordos que garantiram a participação dos Ratinhos – pai e Filho – na campanha de Ney Leprevost, gerando o que se viu – surpreendentemente -, com a expressiva aceitação do candidato nas periferias curitibana, área notoriamente dominada pelos dois.

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SCIARRA E IRMÃO

Claro que houve outros notáveis na campanha de Ney, como o presidente do PSD estadual, Eduardo Sciarra, e o irmão do candidato, o empresário João Guilherme.

João Guilherme é um “factótum” que não deixa Ney se envolver com problemas de logística, de recursos financeiros, é um aparador de encrencas. Faz tudo para que o irmão não seja atrapalhado pelo clima de disse-me-disse natural em campanhas.

Ele dá tranquilidade ao prefeiturável do PSD, é o que se diz no comitê central, localizado na Rua Paulo Gorski.

Sciarra, junto com Borges, costurou o envolvimento avassalador dos Ratinhos, o que se notou particularmente na participação do apresentador no horário de televisão, nos últimos dias, além de visitas a bairros.

 SINDICALISTAS

Não só os candidatos das chamadas esquerdas que têm os seus sindicalistas.

Ney conta com o trabalho de alguns deles, como Paulo Rossi, sindicalista de forte história no enfrentamento sindical. É um dos líderes da UGT-PR. Dono de uma voz agradável, tarimbado no uso do microfone e no embalar multidões, Rossi “encarna a fala da gente do povo”, conforme um marquetólogo que analisava, na segunda, 3, as tendências para o segundo turno.

Ao lado de Rossi, há outro sindicalista, também da UGT, velha raposa experimentada em negociações, Feliciano.

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 AGLUTINADORES

Feliciano, Rossi e outros dirigentes sindicais poderão tornar mais confortáveis os caminhos de Ney Leprevost – ainda mais identificado com a classe média – junto às camadas populares, as periferias.

Muito além dos sindicalistas, Ney Leprevost reúne no seu entorno empresários com forte penetração na cidade. É o caso de seu amigo Sergio Tadeu Monteiro, que capitaneou o jantar para mil talheres, denominado “Jantar dos Amigos de Ney”. O encontro, em Santa Felicidade, pode ter dado a partida, tal sua repercussão, para a arrancada de Leprevost.

PATRICIADO

No mundo do chamado “patriciado curitibano”, a relação dos que se envolvem desabridamente em favor de Leprevost inclui algumas notáveis que são unanimidade na Curitiba de sempre. É o caso do conselheiro aposentado do Tribunal de Contas, do Paraná, Henrique Naigeboren, cunhado de Jaime Lerner (casado com Clarita) e que foi capital nos governos Lerner na Prefeitura.

A pregação de Naigeboren no Whatsapp é clara, de conclamação, na sua rede, ao apoio a Ney.

 TRANSFERÊNCIA

Difícil arriscar prognóstico para um segundo turno. O que parece mais sensato é fazer como aquele ex-vereador, AGK, que pedindo anonimato, prognosticava:

– Quem ganhar no segundo turno, vai levar a Prefeitura por estreita diferença de votos.

Para o mesmo ex-vereador, a manifestação de Roberto Requião, de apoio a Ney Leprevost, confirmaria “mais ou menos o que já parece claro”: afora Maria Victoria, que deverá optar por Greca de Macedo, os demais derrotados devem ficar com Leprevost. Como é o caso de Requião Filho (PMDB), Tadeu Veneri (PT), Gustavo Fruet (PDT).

Os “mínimos”, como Xênia, podem até não apoiar Ney, mas dificilmente ficariam com Greca de Macedo.

Por último: a pergunta mais insistente que fazem analistas de eleições: até que ponto um candidato mal sucedido no primeiro turno transfere seus votos num segundo turno?

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