Por Sumi Costa – Tem endereço em Curitiba que atravessa gerações e o Cine Lido é um deles. Um dos cinemas de rua mais emblemáticos da cidade se prepara para uma nova fase, agora como casa de espetáculos, sem deixar para trás as referências que marcaram sua história. Responsável pela arquitetura de interiores, em um trabalho desenvolvido em coautoria com João Uchôa, autor da concepção arquitetônica geral, André Henning buscou justamente esse equilíbrio entre passado e presente. “Nossa intenção nunca foi reproduzir o passado, mas reinterpretá-lo. Queríamos que quem conheceu o antigo cinema reconhecesse algumas referências, mas percebesse que está entrando em um espaço preparado para o futuro”, explica.
A memória aparece nos detalhes. O vermelho das antigas pastilhas retorna no mobiliário e em elementos dos ambientes, enquanto as curvas remetem ao desenho característico do antigo cinema. Concreto aparente, granitina, aço, grandes planos e iluminação cênica completam uma linguagem contemporânea, com inspiração brutalista e pitadas retrô. Mas o projeto vai além da estética: seis bares, áreas de convivência, camarins e espaços integrados foram pensados para fazer com que a experiência comece antes mesmo de as luzes do palco se acenderem. “Hoje, as pessoas não vão apenas assistir a um show. Elas querem viver o lugar”, resume Henning.
E o novo capítulo do Lido começa em grande estilo. A semana de inauguração terá Caetano Veloso, em 26 de agosto; Marisa Monte, no dia 27; Sven Väth, no dia 28; e Fresno, no dia 29. Mais do que recuperar um edifício conhecido dos curitibanos, a proposta devolve ao Centro um endereço de cultura, encontros e entretenimento, agora preparado para uma nova geração de público. Como define Henning, há edifícios que contam a história de uma cidade e atualizar esses espaços sem apagar aquilo que os tornou especiais talvez seja uma das formas mais interessantes de mantê-los vivos.
Quando a assinatura também passa a morar

No mercado de alto luxo, localização privilegiada, metragem generosa e materiais sofisticados continuam importantes, mas já não contam toda a história. O avanço das branded residences , imóveis associados a grandes nomes da hotelaria, moda, automobilismo e outros universos do luxo , colocou um novo ingrediente nessa equação: a identidade. Para Bruno Zanek, fundador e CEO da Zanek, o movimento mostra que o comprador começa a olhar não apenas para aquilo que uma residência oferece, mas também para a ideia que existe por trás dela. “Uma assinatura só se sustenta quando aquilo que ela representa está presente no projeto de verdade”, afirma.
É aí que entra uma palavra bastante conhecida na moda, no design e na arte, mas que começa a ganhar mais espaço no morar: autoria. Mais do que estampar uma grife em um empreendimento, trata-se de construir uma linguagem reconhecível na arquitetura, nos materiais, nas proporções, na tecnologia e até na forma como os ambientes acolhem. Na Zanek, essa visão aparece na organização dos projetos em coleções arquitetônicas, que podem assumir diferentes graus de exclusividade, entre Unidades Numeradas, Edições Especiais e Peças Únicas. “Autoria não significa repetir uma estética. Significa existir um pensamento capaz de atravessar todas as decisões”, explica Zanek.
A discussão aponta para uma mudança interessante no próprio significado do luxo residencial. Quando qualidade construtiva, tecnologia e conforto passam a ser praticamente obrigatórios nesse segmento, atributos menos tangíveis — como raridade, curadoria, identidade e experiência ajudam a diferenciar um projeto do outro. A marca pode abrir portas, mas não resolve tudo: localização, execução, manutenção e qualidade continuam essenciais. O que muda é que uma casa passa a ser desejada não somente pelo que tem, mas também pelo que representa. Ou, como resume Zanek, “uma residência pode deixar de ser percebida somente como um conjunto de atributos e passar a ser reconhecida também pela visão que a originou”.
Prédios antigos, novas demandas

O tempo também passa para os edifícios e, com ele, chegam reformas que vão muito além de uma pintura nova na fachada. Com boa parte dos prédios residenciais brasileiros já acumulando décadas de uso, modernizar elevadores, instalações elétricas e hidráulicas, impermeabilização e áreas comuns entrou definitivamente na agenda dos condomínios. E a lista cresceu: internet de alta velocidade, energia solar, carregadores para veículos elétricos, iluminação eficiente e sistemas inteligentes de segurança agora dividem espaço com as intervenções tradicionais. “Essas adequações deixaram de ser diferenciais e passaram a integrar o planejamento de modernização dos empreendimentos”, afirma Sarah Castro, diretora Comercial do Cerus.
Atualizar o prédio, porém, exige planejamento técnico, jurídico e, principalmente, financeiro. Obras de fachada, troca de elevadores, reforços estruturais e novas infraestruturas podem facilmente chegar às centenas de milhares de reais, fazendo com que condomínios busquem alternativas para não concentrar toda a conta em chamadas extras aos moradores. É nesse cenário que linhas de crédito específicas para reformas vêm ganhando espaço. Para Sarah, investir na manutenção e na modernização tem reflexo que vai além do conforto: ajuda a ampliar a vida útil das edificações, reduzir riscos e preservar o valor dos imóveis. Afinal, envelhecer faz parte; deixar o prédio parar no tempo é outra história.
Do Paraná para grandes obras pelo Brasil

Vidro e alumínio podem até parecer detalhes quando se olha para a dimensão de uma grande obra, mas são justamente alguns desses detalhes que ajudam a definir estética, desempenho e identidade de um projeto. Prestes a completar 65 anos de história, a Vidraçaria Tomachewski vem ampliando sua presença nesse mercado, com soluções para empreendimentos industriais, corporativos e residenciais. A empresa paranaense já participou de obras para grandes grupos, por meio de construtoras parceiras, como unidades da Bunge, em Rondonópolis (MT), e da Ambev, em Betim (MG) e Campinas (SP), além de projetos ligados às cooperativas Frísia, Castrolanda e Capal. “Temos levado nossa expertise para obras em diferentes cidades e estados, participando de projetos que exigem alto padrão de qualidade, segurança e desempenho técnico”, conta o diretor comercial Miler José Oliveira.
E o Paraná continua sendo uma importante vitrine dessa expansão. Em Ponta Grossa, onde o crescimento industrial e imobiliário movimenta a construção civil, a Tomachewski conquistou recentemente contratos em dois empreendimentos de grande porte, com investimentos estimados em cerca de R$ 5 milhões. Em Curitiba e Região Metropolitana, a empresa também está presente em edifícios residenciais e condomínios horizontais, com projetos em regiões como Pinhais e Santa Felicidade. Para Miler, chegar aos 65 anos acompanhando as transformações da construção passa justamente pela capacidade de se atualizar: “O mercado está cada vez mais exigente. Por isso investimos constantemente em gestão, tecnologia e qualificação da equipe”. Uma trajetória antiga, portanto, mas com os olhos bem voltados para as próximas obras.

Pautas e contatos colunaentreespacos@gmail.com
*Formada em Relações Públicas e Jornalismo pela UFPR, Sumi Costa atua em Assessoria de Imprensa desde 1997. Com trajetória consolidada na comunicação institucional e produção de conteúdo, assina esta coluna voltada a projetos criativos, novos produtos, tendências do morar e os bastidores do setor imobiliário.



