
Vai ficando muito difícil o simples leitor entender com um mínimo de precisão o que se passa no conglomerado de empresas dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que estão no epicentro da Lava Jato.
O grupo J&F, por exemplo, está implantando um programa de ‘compliance’ (conformidade com as normas), em todas as suas empresas. Assim, deverá seguir o mesmo caminho tomado por outras empresas envolvidas na Lava Jato, como a Odebrecht e a Petrobrás.
ADVOGADO CURITIBANO
A JBS – integrante do grupo, ao lado de empresas como Banco Original e Eldorado -, adiantou-se às demais.
O frigorífico JBS criou diretoria totalmente independente, voltada para a área. E para surpresa minha e de muitos outros, a “compliance” da holding ficou com o advogado curitibano Emir Caluf Filho, que teve passagens importantes em grandes corporações como a Philip Morris e a International Flavor & Fragrances.
Trata-se de um jovem e bem credenciado profissional.
PADRE EMIR
Emir é filho do célebre padre Emir Caluf, que foi um dos nomes mais fulgurantes nos meios de comunicação de Curitiba, dos anos 1960/80.
Filho de uma rica família de libaneses cristãos – os Calluf -, o sacerdote que foi suspenso das ordens religiosas nos anos 1970 -, era um contestador de primeira. Na televisão, pregava num programa (“Um Lugar ao Sol”), mas foram seus artigos em jornais – Diário do Paraná e O Estado do Paraná – que o colocaram como alvo de contestações e críticas amargas. Tudo porque era até defensor aguerrido do regime militar de 1964, e por isso foi muito combatido. Depois, ampliaria seu olhar sobre outras áreas.
UM EX-JESUÍTA
Houve posições que esse ex-jesuíta muito bem formado, com especializações em Psicologia nos Estados Unidos, que acabaram por distanciá-lo definitivamente até de grupos políticos conservadores.
Motivo? Num determinado momento, Calluf começou a esposar teses do australiano Peter Singer, absurdas e desumanas, por pregarem, por exemplo, até que seria lícito o abandono das crianças comprometidas mentalmente, os chamados excepcionais. Uma questão de bioética que repercutiu muito na sociedade abrangente.
FIM DE VIDA: BÊNÇÃOS
Ao se desligar do sacerdócio, porque casara com a empresária Munira, já estava “suspenso de ordens” pelo antigo arcebispo de Curitiba, dom Pedro Fedalto que, no entanto, nas últimas horas de vida de Calluf, visitou-o no hospital. E lhe deu bênçãos finais.
Em adição, como mera curiosidade: os cenários do programa “Um Lugar ao Sol”, do padre Emir, no antigo Canal 6 de Curitiba, emissora do grupo Associado, eram pintados por Juarez Machado, que estava em início de carreira, anos 1960.
