
Posicionamento da entidade também defende o pesquisador Evaristo de Miranda e suas equipes, após matéria publicada pela revista Piauí
Em matéria publicada pela revista Piauí em janeiro, 12 cientistas brasileiros denunciaram o grupo de pesquisa do engenheiro agrônomo Evaristo de Miranda, da Embrapa (e diretor do Instituto Ciência e Fé de Curitiba), por fabricar falsas controvérsias com o intuito de afrouxar as leis e normas para proteção do meio ambiente no Brasil. Num artigo que será publicado na edição de fevereiro da revista especializada Biological Conservation, os autores analisam o que eles descreveram como um “ataque às políticas ambientais estimulado por um esforço velado e sistemático de um pequeno grupo de negacionistas para desinformar os tomadores de decisão e a sociedade”.
A Embrapa se posicionou sobre ataques à sustentabilidade ambiental da agropecuária, ao pesquisador Evaristo de Miranda e às suas equipes em 12 pontos. Leia a seguir:
Nos pontos de 9 a 12 afirma:
9 – Ao invés de refutar os resultados obtidos pela Embrapa e debater com racionalidade ideias e métodos, um grupo teceu críticas à agropecuária brasileira, abrindo espaço para a politização do tema, e partiu para ataques institucionais e pessoais ao setor agropecuário, aos pesquisadores e equipes da Embrapa. Agiram como se tivessem dificuldades de lidar com o contraditório. Elaboraram um manifesto em uma revista científica estrangeira, levando ainda a discussão para a mídia, criticando a ação da Embrapa, a agropecuária brasileira, as leis e demais dispositivos legais aprovados pelo Congresso Nacional em diferentes legislaturas.
10 – A direção da Embrapa repudia esses ataques ao setor agropecuário brasileiro, à Embrapa e às suas equipes de pesquisadores. Em particular à pessoa do pesquisador Evaristo de Miranda, cuja carreira de mais de 40 anos na Embrapa – marcada pela participação na criação de três centros nacionais de pesquisa, pela coordenação de mais de uma centena de projetos em todo o país, pela publicação de mais de 50 livros e de mil artigos científicos e de divulgação – é conhecida, reconhecida e respeitada no Brasil e no exterior.

11 – A Embrapa é uma empresa pública pertencente ao Estado brasileiro. A Empresa tem a ciência como baliza. É essa ciência que direciona os trabalhos conduzidos por uma equipe de 8 mil colaboradores e mais de 2 mil pesquisadores em todo o território nacional. Foi a ciência, e o empreendedorismo dos produtores, que possibilitou que o Brasil deixasse de ser um importador líquido de alimentos na década de 70 para se tornar uma das maiores potências agroambientais do mundo. Fizemos isso porque brasileiros, dos setores público e privado, se lançaram a uma das mais admiráveis sagas da história do País: o desenvolvimento da agropecuária tropical. A divergência, a pluralidade de ideias e o direito ao contraditório fazem parte do cotidiano da Embrapa. A aparente intolerância e a dificuldade de aceitar ideias divergentes, baseadas em dados públicos e abertos, não faz parte da nossa rotina.
12 – A Diretoria Executiva da Embrapa agradece e compartilha da solidariedade manifestada por pesquisadores, dirigentes de centros de pesquisa, academia e atores do setor agropecuário e da comunicação sobre os ataques a um de seus pesquisadores e sua equipe de trabalho. Ao mesmo tempo, reitera o apoio à Embrapa Territorial em sua prestação de serviços ao país. Mais do que garantir o trabalho de uma equipe de pesquisadores, analistas e técnicos de uma de suas Unidades, a Embrapa manifesta seu apoio, incondicional e inafastável, ao desenvolvimento competitivo e sustentável da agropecuária brasileira.
Diretoria Executiva da Embrapa
Brasília, 1º de fevereiro de 2022
