terça-feira, 12 maio, 2026
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Dulce: tempo do tacho, radionovela, cartas

Por Olga Krieger (*)

Ao abrir o livro “Dulce Fernandes de Queiroz: receitas, raízes e recordações”, o leitor não irá encontrar a biografia de uma pessoa famosa, mas em muitas linhas vai reconhecer um pouco da história da sua própria família, das lembranças de uma vida erigida no século XX, do tempo do doce de tacho, da rádio novela e da comunicação por cartas. A ideia inicial – sugerida pela Simone, neta mais velha – era de fazermos um livro de receitas permeado com algumas lembranças, algo mais singelo, uma forma de reunir e registrar os pratos salgados, bolos e sobremesas da Vó Dulce que apreciávamos. Mas logo que formamos o “núcleo duro” dos trabalhos, em setembro de 2020, o projeto recebeu nova dimensão.

Bife da Filipa

Do baú de reminiscências dos filhos Diomário e Maria Tereza vieram fotos de diversas fases da vida de Dulce e da família, permitindo ilustrar muitos dos fatos narrados, como as viagens de avião para Porto Alegre na década de 1950, quando Dulce fazia tratamento de saúde na capital gaúcha (foto em anexo – da página 17), a tradicional foto de casamento em formato oval (foto em anexo – da página 99), ou a postura altiva e o sorriso meigo que se revelam na jovem Dulce (foto em anexo- da página 13). O filho Enéas colaborou com extensa pesquisa sobre os ascendentes – traduzidos nos sobrenomes Fernandes, Rosa e Knabben – e sobre a vida estudantil e profissional de Dulce, dando corpo à seção “raízes”.

A recordações dos sete filhos, genro, noras e netos propiciam uma leitura leve, como se estivéssemos passeando na timeline de uma amiga, podendo celebrar memórias de afeto e dizeres tão típicos de uma mãe: “Quem meus filhos beija, minha boca adoça”, “Como vai de estudos? Tem se esforçado como deveria?”, “Meu sonho é ver sempre vocês reunidos em alegria, harmonia, confraternizando e cada um seguindo o seu caminho”.

Bolo Rubro

Por fim, as 60 receitas foram selecionadas a partir das lembranças mais marcantes da família, como o vatapá, suflê de cenoura, silver moon, rosbife, cozido português, ambrosia, cocada, canjica de milho, pudim de pão, entre tantas outras que retratam a riqueza cultural brasileira.

Cada prato, muitos deles com fotos, pode muito bem ser preparado independentemente da leitura do restante da obra, mas deixo o convite para a leitura completa, com todas as particularidades que conseguimos reunir.

Ambrosia

O livro, que contou com a participação de muitos familiares, foi o ponto de encontro e celebração da vida nestes momentos desafiantes por que passa a humanidade, e renova a esperança em pequenos prazeres, como as balas de mel, que nas palavras da neta Dulce “traziam em si o amor, a dedicação, o altruísmo, a confiança no mundo e no ser humano”.

(*)Olga Krieger – Editora do livro Dulce Fernandes de Queiroz: receitas, raízes e recordações

SERVIÇO
Dulce Fernandes de Queiroz: receitas, raízes e recordações
Organizadoras: Maria Tereza de Queiroz Piacentini e Simone Hering de Queiroz Yunes
194 páginas – ilustrado
Editora Bonijuris, 2021

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