
Da impunidade com prefixo (‘in’) “im” fala-se todo dia. Nos jornais, nas rádios, na internet. É dela que sobrevive a classe política. Se como diz uma senadora, a corrupção é sistêmica e desembarcou juntamente com as Caravelas, ora, por que votamos? Eles fizeram, eu faço, você fará é o verbo conjugado para justificar o injustificável – a roubalheira – e torna o crime impune, como se o castigo fosse exclusivo aos simples mortais sem foro privilegiado. É com esse argumento torto que se alimentam os grupos (grupelhos) que defendem a intervenção militar no país. Ora, ora.
VERBO INFINITO
As recentes denúncias do mensalão, em 2005, fizeram com que o então presidente Lula, lá em Paris, justificasse a prática: “O PT fez porque eles fizeram”. Mas foi justamente por isso que o petista foi eleito.
Para que não se fizesse mais. Mais de uma década depois e toca-se a mesma toada: o PT roubou porque eles roubaram. E, mesmo criminosos confessos, ele ainda usufrui das prerrogativas daquilo que os torna impunes.
IMPOTÊNCIA
Pois juntemos à palavra impunidade outra de idêntico prefixo: impotência. É comum ouvir analistas políticos dizer que o brasileiro se sente impotente diante do quadro calamitoso da política nacional. E a impotência é irmã da desilusão que é prima-irmã do extremismo. Não é preciso abrir o livro de história para encontrar casos similares – alguns que levaram a confrontos sangrentos – por causa da inconsequente e incompetente (eis aí mais dois prefixos) administração de governo.
OS SUSPEITOS DE SEMPRE
É difícil prever o que irá acontecer ao país, mas certamente a bonança não virá antes da tempestade. E a combinação impunidade e impotência podem ser explosivas, caso o governo Temer, por um lado, e o PT, de outro, continue ungindo ilustres indiciados ou denunciados na Lava-Jato com cargos de alto escalão na administração federal, em Brasília, e o Partido dos Trabalhadores siga elegendo eternos suspeitos à direção nacional do partido. É como acender um barril de pólvora e sentar sobre ele.
LUCIDEZ TOTAL
A propósito de Lava Jato e suas ações demolidoras, recomendo a leitura da entrevista de um lúcido ex-ministro do STF, Célio Borja, no Estadão deste dia 17. Ele diz claramente não se pode absolutizar – tomando como verdade – qualquer delação. Também não acha que o Congresso seja dispensável, até porque, acredita, isso seria o fim do estado democrático. Os parlamentares, argumentou, bem ou mal, são garantidos pela Constituição.

