Senhor jornalista,
Hoje li sua coluna sobre o escândalo que está para estourar dentro dos próximos dias. Li com certa apreensão pela dimensão que tal assunto irá tomar.
Mas uma informação dada pela sua coluna me deixou intrigado. Lá dizia que este padre havia sido frade dominicano.
Sou curitibano e frade desta ordem, consultei alguns superiores e eles disseram desconhecer da existência de algum ex-frade famoso (…)
(…) De toda forma, tenho a agradecer e lhe dar os cumprimentos pelo trabalho.
JACKSOM BARBOSA, frade dominicano, Curitiba
RESPOSTA: Erro nosso. O famoso não foi Dominicano, mas pertenceu e foi formador de seminaristas em outra Ordem, sempre no Norte do Paraná.
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“Como se conhece um católico, afinal?”
Senhor jornalista,
Nunca foi tão atual a discussão de pertencimento de alguém à Igreja Católica Romana. Digo isso diante das campanhas que bispos e membros da Cúria Romana movem contra o papa Francisco.

Esses “religiosos” não são apenas conservadores. No fundo, colocam-se contra a limpeza que Francisco está promovendo, como faz – apenas dois exemplos – nas igrejas do Chile e Estados Unidos, nas quais bispos são punidos (com aposentadoria) porque, no mínimo acobertaram casos de abusos sexuais praticados por sacerdotes contra, especialmente, crianças e adolescentes.
Não me surpreende que os maiores opositores de Francisco sejam bispos e fieis americanos.
PAPA FRANCISCO
Tenho plena convicção de que quem adere a Francisco é que está dentro da Igreja. Outros, até por interesses financeiros, diante de dinheiro que chega a suas dioceses via padres predadores (e suas associações e fundações, e é muito dinheiro…) preferem acobertar crimes e pecados.
Afinal, para essa gente, quanto mais ignorância e endeusamento de padres na Igreja, tanto melhor…
SOU PADRE
Resta-me a certeza, por ter atuado aí, como padre religioso (pertenci a uma Ordem centenária, no Brasil) que, nos dias de hoje, nada passa escondido do embaixador do papa no Brasil.
Eu, na verdade, sou padre para a eternidade, deixo claro ainda.
E mais me conforta: uma hora ou outra a Nunciatura terá de se pronunciar contra barbaridades como os mais recentes casos de abusos e roubos (em Limeira, onde o bispo responde a processo civil por apropriação de dinheiro da Diocese e o padre Leonardo, da Catedral de Americana, foi suspenso de ordens por ser predador de coroinhas).
“CURITIBA CONTIDA!”
Passei por Curitiba, sei que aí as coisas – nesse terreno – estão “mais contidas” no clero diocesano, mas não é exemplar na sua vida sacerdotal. O bispo local deve saber disso, afinal ele se diz tão bem formado universitariamente, cheio de títulos e mestre de argumentações…
No correr das mídias digitais acho mesmo que as vias necessárias do Vaticano sabem, na hora, de pecados e crimes cometidos na Igreja no Brasil. Isso é um consolo para os que acreditam na cruzada de Francisco.
J.B. KOWALSKI SANTOS, “padre para a eternidade”, São Paulo, SP
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“Como se conhece um católico, afinal” (II)
Senhor jornalista,
Faço reparos à forma, não ao conteúdo, com que sua coluna adiantou a matéria jornalística nacional que, disse, exporá a vida dupla de um padre cantor brasileiro.
Na verdade, ele deve ter nome e sobrenome expostos…
Essa sua primeira falha (ou tática bem pensada para blindar-se de processos judiciais?) é seguida de outras. Como a questão, por exemplo, dos CPFs ou CNPJs usados pela fundação dita católica e suas empresas e pessoas associadas, que estariam sob a lupa (ou investigação) da Receita Federal. Manobra que estaria permitindo irregularidades fiscais enormes.
Não foi possível adiantar nada do “modus operandi” dessa gente?
RECEITA FEDERAL
Essa assertiva dos CNPJs e CPFs é gravíssima, embora saiba, claro, que tanto o jornalista quanto o jornal que vai publicar a matéria estão cobertos pelo direito constitucional do sigilo da fonte.
Até por isso a coluna poderia ter ampliado o assunto que está dentro da linha de interesse do atual papa: combater a corrupção na Igreja Romana (finalmente, realidade que Lutero clamou ao mundo no século XVI).
TENHO OS NOMES
Posso até adivinhar os nomes das personagens dessa matéria jornalística instigante. Afinal, vivi também de informações em minha atividade profissional, como policial civil.

Espero que essas falhas apontadas – até para não atingir padres cantores como padre Zezinho e outros tantos de qualidade moral acima de suspeitas – sejam superadas. Para o bem de todos e felicidade geral dos cristãos.
MARCOS ZAMPROGNA BERGONZIN, policial civil aposentado,
Campo Grande, Mato Grosso do Sul
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“Como se conhece um católico, afinal” (III)
Caro jornalista,
Não fecho totalmente com a abordagem de sua coluna sobre ‘fé e luxuria’ que um padre cantor mistura, objeto de matéria jornalística em preparo por um jornal impresso (conforme o senhor diz).
Mas tenho de reconhecer que o tema é oportuníssimo, em tempo em que uma religiosidade tacanha se implanta no país por meio de tele evangelistas e líderes do Governo, como a ministra Damares Alves, vai tomando conta da Nação.
O que eu esperava é que Igreja Católica deste século 21 percebesse, no Brasil, que não há outro caminho senão seguir os passos de Francisco. Ele dá o bom combate ao clericalismo doentio de padres e certo episcopado tipo daquele que “é bispo de aeroporto”.
Vou adiante: cantores-padres atendem bem o modelo de uma religião desligada da realidade do dia a dia sofrido de um povo que troca suas dores por aplausos a saracoteios de sacerdotes mercenários manipuladores da fé do povo.
Ao dizer isso, não fico contra a oração. Mas advogo uma religião encarnada na vida do povo, montada numa fé que remove montanhas e que dispensa alimentar “ídolos cantores” e seus requebros.
MARTHA DALLAGNNOL BRAGANÇA, moradora em Rondônia e Cascavel
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Esqueceu do ‘Spotlights’
Caro jornalista,
Sua matéria sobre “fé e luxuria” deixou de registrar advertências importantes a esses que defendem de olhos fechados o mercantilismo da fé e aos predadores sexuais.

Poderia bem ter lembrado o caso da Arquidiocese de Boston, que quase quebrou (ou quebrou) tendo de pagar centenas de milhões de dólares de indenizações pelo acobertamento de padres predadores e negociantes da fé. Acho mesmo que chegou a US$ 1 bilhão…
O mesmo – ou pior ainda – aconteceu com a Arquidiocese de Los Angeles.
O pecado/crime de seus padres fez com que tivesse de vender até templos para arranjar fundos para as indenizações que ainda estão pipocando.
Afinal, foram dezenas de anos de silêncio dos bispos sobre os crimes contra menores.

O jornalista bem que poderia ter aprofundado mais seu texto. Esqueceu – ou não quis lembrar? – o filme “Spolights”, que deu Oscar em 2018 à grande denúncia jornalística sobre padres pedófilos em Boston?
KARLA DA SILVA FERREIRA, Curitiba, estudante
