sábado, 4 julho, 2026
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DOS LEITORES (2): Um alerta sobre o “Guairinha”

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Pequeno Auditório do Guaíra
Pequeno Auditório do Guaíra

O leitor Wasyl Stuparyk manda à coluna correspondência que dirigiu ao governador do Paraná, alertando sobre descumprimento de normas de segurança em órgão como o Teatro Guaíra:

Excelentíssimo Senhor Governador Ratinho Junior, Diante de tantos tristes acontecimentos que vem assolando o país – o fogo na boate de Santa Maria, o rompimento da barreira de Mariana e Brumadinho e agora o incêndio do Flamengo, com a morte de 10 garotos – volto a insistir em denúncia que venho, teimosamente, falando desde 1968. Claro que o senhor não tem conhecimento, assumiu ontem, mas vou alertá-lo para que não aconteça a tragédia “anunciada”, já iniciada uma vez e que felizmente, na ocasião foi contida. Assisti inúmeras vezes o Corpo de Bombeiros inspecionando o pequeno auditório do Teatro Guaíra e recomendando à direção que teriam que providenciar, urgentemente, uma saída de incêndio para o Auditório Salvador de Ferrante, o Guairinha.

FOGE DO PADRÃO

Também vi, muito de perto, pois lá trabalhava, os superintendentes tentarem “construir” a tal saída de emergência, mas ao que nos consta, sempre barrada pela construtora, alegando que a estética fugiria do projeto original. Até pode ser verdadeira a alegação, mas injustificável diante do risco de vidas humanas num sinistro. Vejamos, friamente a situação. Se pegar fogo na “maquinaria do Teatro “, a plateia e o público não correm riscos pois a “cortina corta fogo” fechará e todos poderão sair com tranquilidade. Mas, se o fogo iniciar no saguão do Teatro, a “cortina corta fogo” isolará a plateia do palco, protegendo o palco, mas deixando 504 cidadãos sem opção de saída. Nem mesmo pela pequena porta que abriram no fundo que dá vazão a no máximo duas pessoas a cada vez. Uma ratoeira. E mais, especialmente aos espectadores que estiverem no “BALCÃO” do auditório, para onde irão? As escadas saem no saguão, que terá fogo. Não conseguirão sair. A única opção será pular pela amurada para a plateia. Quantos conseguirão? E claro, nem se cogita que seja uma opção.

NÃO CONVENCE

A desculpa de que a porta de emergência alteraria a estética da estrutura do projeto original, não é convincente pois, como Vossa Excelência deve saber, por ser filho de homem de Televisão, afeito a cenários, que o Teatro Guaíra tem uma equipe de “maquinistas”

competentes, que utilizando-se de materiais dos mais simples, constroem realidades que impressionam. Assim foi, por exemplo na peça Shweik na Segunda Guerra, dirigida por Claudio Correa e Castro, quando construíram um tanque de guerra Alemão, que entrava em cena com grande presença.

Estes senhores não construiriam uma saída de incêndio tão bem-feita que sequer seria notada, por fora e com indicação correta e segura em poucos segundos salvaria todos espectadores do Teatro? Algum tipo de escada “escamoteável” do BALCÃO para a saída na plateia? Inúmeras possibilidades devem ser analisadas para minorar qualquer risco.

COMEÇO DE FOGO

Há algum tempo houve um princípio de fogo, conta o ator Hélio Barbosa, e que foi um grande susto e sufoco, e era apenas o ensaio da companhia, sem público. Imaginem com 500 pessoas se acotovelando e pisoteando uma as outras. Tem que ser observado, Senhor Governador. Alguém tem que ter coragem e resolver a questão. E coragem, se puxou ao pai, sei que não lhe falta!

Obrigado,

WASYL STUPARYK, memorialista digital, produtor artístico, Curitiba

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