
Os árabes e seus descendentes no Paraná, assim como em quase todo o Brasil, sempre foram associados à tradição cristã. Só a partir de meados do século 20, os árabes muçulmanos foram ganhando espaço aqui.
Sobre os árabes no Estado – particularmente a comunidade lar muçulmana – será apresentado nesta quinta, 17, em Foz do Iguaçu, um documentário essencial para entender o processo imigratório.
LU RUFALCO
O documentário “Árabes no Paraná – Foz do Iguaçu”-, será lançada, às 18h30, no Hotel Bourbon (Avenida das Cataratas, km 2,5, nº 2345), em Foz do Iguaçu. Escrito e dirigido pela cineasta Lu Rufalco (de “O Mundo Perdido de Kozák”), o curta conta a história da colônia árabe da Cidade das Cataratas, a segunda maior do Brasil e da América Latina.
COMO COMEÇOU
Os sírios e libaneses começaram a chegar há 160 anos, mais ou menos, boa parte foi para o Norte do país, como Acre, Pará, Amazonas.
Minas Gerais e São Paulo atraíram inúmeros contingentes árabes, assim como o Rio de Janeiro. Eles dedicaram-se, quase todos, à “arte” milenar em que são mestres – o comércio. Raramente ganharam expressão no cultivo da terra. No Brasil, mostraram-se basicamente urbanos.
TECELAGENS
Cristãos maronitas – ou melquitas -, pertencentes a igrejas católicas fieis a Roma, os sírios e libaneses facilmente passaram a se identificar com o Brasil. Em São Paulo, por exemplo, foram vitais no processo de industrialização do Estado.
As catedrais cristãs árabes são marcos de São Paulo. Há também os árabes pertencentes à Igreja Ortodoxa Antioquiana, que tem uma enorme paróquia em Curitiba, na Rua Brigadeiro Franco, e catedral na Capital paulista.
Foram famílias sírias e libanesas as responsáveis pelas grandes indústrias de tecidos, geradoras de fortunas e que rapidamente colocaram os “turcos” no epicentro das fortunas paulistas.
MÉDICOS
Junto com o amealhar fortunas, os árabes foram investindo em educação de seus filhos. Em São Paulo, por exemplo, é notável a presença de descendentes de sírios e libaneses no primeiro time da medicina paulista. Assim como é também expressivo o investimento que a comunidade foi fazendo em saúde, de que é exemplo o Hospital Sírio Libanês, um dos 3 mais importantes do país, ao lado do Albert Einstein, fundado pela comunidade judaica.
NA POLÍTICA
Não apenas a industrialização de São Paulo deve enormemente aos árabes; praticamente eles acabaram “infiltrados” na alma nacional, e impulsionando muitos campos da economia, com destaque para a tradição mercantil que expressaram e expressam no Estado.
Na política brasileira, impossível enumerar seus grandes atores a partir do século 20, sem registrar a origem árabe de boa parte deles.
Temer, o presidente, e Alckmin, o governador de São Paulo, são partes substantivas da herança árabe no Brasil.
OS RICHA

No Paraná há a ressaltar: o pai do ex-governador José Richa era um libanês cristão, pobre, mascate, que se mudou do Rio de Janeiro para o Norte velho, onde gerou o clã do qual faz parte o governador Beto Richa. Assim como libanês de origem igualmente pobre foi o pai de Avelino Vieira, o banqueiro que acabou gerando um dos maiores bancos brasileiros, o ex-Bamerindus.
TURCOS
Sem exagero, posso dizer: com todos os seus altos e baixos, a política brasileira, em todas as regiões do país, é pontilhada pelos descendentes de sírios e libaneses de origem cristã.
Como começaram a chegar ao Brasil com passaporte do Império Otomano, os sírios e os libaneses passaram a ser nominados popularmente como “turcos”. A denominação ganhou conotação carinhosa e permanece até hoje.
Com o tempo, os árabes muçulmanos do Paraná foram ganhando expressão, erguendo suas mesquitas, inserindo (mais lentamente, é verdade, que os conterrâneos de origem cristã) na vida nacional.
Na região de Foz do Iguaçu, os árabes começaram a chegar há 140 anos.
