segunda-feira, 22 junho, 2026
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DIA EM QUE MANIFESTANTES ENFRENTARAM UMA LOJA DE MÓVEIS

Ruy Castro, escritor e jornalista (Foto: Jackson Romanelli/Infinito).
Ruy Castro, escritor e jornalista (Foto: Jackson Romanelli/Infinito).

Ruy Castro, jornalista, biógrafo, e por que não dizer escritor – afinal, tantos cantores, tantos atores globais o são – escreveu coluna na Folha de S. Paulo na quarta-feira (3), descrevendo, em tom de ficção, o que foi o confronto de manifestantes contra uma loja de móveis da Rio Branco, na capital carioca, no dia da greve geral:

CAPITALISMO DESALMADO

“Um dos grandes momentos foi a batalha entre um grupo de manifestantes e uma loja de móveis da avenida Rio Branco?” “Ora, todos sabem que, assim como os bancos, nada simboliza mais o capitalismo desalmado, cruel e assassino do que uma loja de móveis. A massa, portanto, partiu para o ataque”.

FUGA DA MOBÍLIA

“Os móveis apavorados, tentando escapar da ação dos movimentos de resistência a essa política que condena a atual e as futuras gerações a uma vida laboral sem direitos, sem justiça e sem respeito”.

POBRE CRISTALEIRA

“Acovardadas, as cadeiras corriam para debaixo das mesas. Outras tentavam se proteger debaixo das camas, e estas batiam desesperadas à porta dos armários a fim de se esconder. Em vão. As cadeiras foram atiradas contra os espelhos, as mesas tiveram suas pernas arrancadas e transformadas em porretes, e estes reduziram os armários a esqueletos.

As cômodas, muito gordas para se locomover, eram facilmente viradas. Uma cristaleira foi acuada no fundo do corredor e convertida em cacos. Os móveis de cozinha foram poupados, mas não escaparam de ser confiscados e levados dali.

Lá fora, oito ônibus eram pacificamente incendiados”.

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