Esta foi a semana do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS. No Brasil, dados do Ministério da Saúde confirmam um cenário grave: o número de casos de AIDS entre a população mais idosa está crescendo. Dos cerca de 500 mil casos da doença no país, 15 mil atingem a terceira idade, sendo que em 1991 este número era de apenas 950 ocorrências.
Consequências da melhora na qualidade de vida entre os idosos e do uso cada vez maior de medicamentos contra a disfunção erétil, que estimulam práticas sexuais. A falta do hábito de usar preservativos explica o aumento de casos neste grupo, aponta o infectologista Jaime Rocha, conselheiro da Unimed Curitiba e professor da PUC-PR.
“Há um número alarmante de novos casos, especialmente em grupos de pessoas novas, na faixa de 15 a 19 anos de idade, que não viram os efeitos da AIDS nos anos 1980 e 90 e acham que, se contrair a doença, é só tomar remédio para ficar bem, e entre as pessoas mais idosas, que não tiveram a educação sexual das gerações posteriores e estão com uma atividade sexual mais ativa e menos protegida, graças aos medicamentos que facilitam a ereção”, esclarece o infectologista.
2 – PREVENÇÃO E CUIDADO
A AIDS não discrimina ninguém e está presente em todos os grupos sociais, de todos os gêneros e orientações sexuais. “Todos estamos expostos! Quem ainda acha que o risco da doença é exclusivo desse ou daquele grupo só reforça o preconceito e abre espaço para o crescimento da doença”, enfatiza Rocha.
“…há um parceiro estável, ambos devem fazer o teste de HIV, para sua própria tranquilidade. Uma pessoa pode ser portadora do vírus por anos e não apresentar qualquer sintoma. Sem conhecer sua condição de portadora, pode infectar outras pessoas sem saber”
O mais importante na prevenção contra a AIDS é ter uma seleção adequada do número de parceiros sexuais. “Parece uma orientação óbvia, mas é necessário ter esse controle. Quando há um parceiro estável, ambos devem fazer o teste de HIV, para sua própria tranquilidade. Uma pessoa pode ser portadora do vírus por anos e não apresentar qualquer sintoma. Sem conhecer sua condição de portadora, pode infectar outras pessoas sem saber”, pontua o médico.
3 – NOVIDADES NO TRATAMENTO
Hoje, o teste pode ser feito pela saliva, oferecido em todas as unidades básicas de saúde, ou pelo sangue. “A gente costuma dizer que, hoje, só morre de AIDS quem quer. Nos últimos 15 anos, o número de mortes caiu 41%, segundo o UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS).
Quando o diagnóstico é precoce, há ótimas opções de tratamento”, destaca Rocha.
Atualmente, há excelentes respostas com apenas um comprimido por dia, ao invés do conhecido “coquetel” de outros tempos. “A pessoa com HIV positivo tem sobrevida normal, vai morrer com o vírus, mas não por ele. Mas a questão muda de figura se o diagnóstico é feito tardiamente. Por isso, a importância não só de se prevenir, como de fazer o teste se houver a mínima dúvida”.
