quinta-feira, 21 maio, 2026
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RETRATOS POLÍTICOS: DEPUTADO LUIZ FERNANDO GUERRA FILHO É UM INCONFORMADO COM “MARAJÁS” DA VIDA PÚBLICA E OS POLÍTICOS PROFISSIONAIS

Luiz Fernando Guerra Filho: apoia o governo Ratinho Junior

(Entrevista em 31 de maio de 2019)

Apresente-se e fale um pouco sobre sua infância e família:

Nasci em 18/12/1984. Vou fazer 35 anos em dezembro. Nasci em Pato Branco, sou casado, sem filhos. Meu pai é Luiz Fernando Guerra, mas não gosta do Luiz, é conhecido como Fernando Guerra. Então eu brinco que usurpei o “Luiz Fernando” (risos).

Minha mãe é Carmem Guerra, nascida em Mallet, interior do Paraná. A família dela é de União da Vitoria. O avô da minha mãe era proprietário do jornal Caiçara, Gigio Augusto.

O Del Bray Augusto é quem comanda o jornal hoje.

A família tem origem em Nova Alvorada, distrito de Soledade (RS). Meu avô veio para o Paraná em 1954, é uma história bonita. Meu pai nasceu lá.

Estudei primeiro no Colégio Mater Dei, de Pato Branco, cuja dona é uma tia minha, Ivone Guerra. É casada com Guido Guerra, que faleceu ano passado, primo do meu pai. Fiz o Fundamental e o Médio lá, hoje tem até faculdade lá. É um colégio particular, com Método de Ensino Positivo.

 

Quando veio para Curitiba?

Em 2001, vim para Curitiba estudar no Curso Positivo da sede na Av. Sete de Setembro. Passei em Administração na PUCPR, mas só fiz dois meses.

Desisti dele e fiz vestibular de Direito na Unicuritiba. Na época era no Centro, era melhor. Fui aluno do Dr. Mansur Theóphilo Mansur. Me formei em 2008.

Trabalhei primeiro como estagiário, até me formar, no TJPR. Em 2006, a Alep fez uma parceria com a Unicuritiba, quando fizeram um teste seletivo para a CCJ, com duas vagas. Passei nesse teste, fui estagiário lá até 2008. Fiz freelancer para alguns deputados, e como estava na CCJ, advogava para eles, fazendo acompanhamento de projetos de leis.

Meu trabalho na CCJ, com 111 membros, era fazer pareceres técnicos.

E na sequência?

Em 2009, o deputado Valdir Rossoni me convidou para ser advogado dele na Segunda Secretaria. Conheci o deputado através do freelancer na CCJ.

Advoguei para ele e, quando assumiu a presidência da Assembleia, trabalhei com ele por um mês, no período da saída do Bibinho e entrada do Benoni Manfrin como diretor geral. Eu não conhecia o Benoni, passei a gostar muito dele. Nisso ele me disse que estava vindo como aposentado do Exército, que havia passado por vários setores da esfera pública, mas não conhecia a Alep. Precisava de alguém de confiança, eu aceitei o desafio e fui chefe de gabinete do Manfrin na Diretoria Geral da Alep até 2013. Nos demos bem desde o primeiro momento, não me recordo se em 2010 ou 2011.

 

E depois desse período inicial na Alep?

Depois voltei ao Grupo Guerra, empresarial da família. Temos segmentos distintos. Trabalhei primeiro no escritório em Curitiba, para diversificar os negócios. Somos essencialmente do agronegócio, produtora e comercialização de sementes, com parceria com grupos estrangeiros, de alimentos, como o francês Jacquet. Formamos uma joint venture, a Jacquet-Guerra do Brasil; já tínhamos uma empresa chamada Primorata, que foi comprada por eles e transformada nessa joint venture. Estava começando no mercado, de biscoitos e massas. A Jacquet é líder de panificação, brownies e bolos na Europa.

Trouxemos o know how francês para a nossa fábrica, em Guarapuava, agregando valor para a produção de pães e bolos. Não mais as massas e biscoitos.

 

Além do agrobusiness, quais áreas de atuação da família?

Temos negócios de maquinário agrícola, concessionária da New Holland, no Sudoeste. Atuamos também na área de defensivos agrícolas, a Sul Brasil. Temos também negócios de fertilizantes, adubos, agroquímico.

Não existe como eliminarmos, hoje, os defensivos se quisermos produzir alimentos na quantidade necessária para a população. Mas é preciso equilíbrio e aplicação correta, nas doses corretas.

 

SÓCIOS MAJORITÁRIOS

Somos sócios majoritários também de outra empresa, a Taisa, que atua no Sudoeste do Estado, com concessionárias em municípios como Pato Branco, Mangueirinha, Palmas.

E atuamos no mercado imobiliário, com loteamentos em várias cidades do Sudoeste, a Green Incorporadora.

Em Pato Branco, temos também a Rádio Itapoã. É uma AM, a mais ouvida do Sudoeste do Paraná. Está migrando para FM. Tem programação jornalística durante a manhã toda, até às 13h. No Facebook, temos 50 mil seguidores. É uma rádio bem atuante e conhecida na região.

E ainda possuímos uma empresa de energia elétrica, no segmento de PCH, de geradora hidrelétrica. Temos três no grupo PHCs, espalhadas em Santa Catarina.

É uma atuação empresarial bem diversificada.

 

Quantos irmãos seu pai teve?

Eles são oito irmãos, um falecido em 1968 em acidente aéreo. Só meu pai e uma irmã continuam no interior do Paraná. O Alceni está em Curitiba. A família Guerra veio do Rio Grande do Sul para o Paraná e se espalhou, alguns no Mato Grosso e Rondônia. Do lado paterno, meu avô italiano é Guerra. E da minha avó, Fumagalli. Os antepassados vieram na década de 1880 para o Rio Grande do Sul.

Meu pai é o presidente do Grupo Guerra. Somos três irmãos, o mais velho é o Ricardo, diretor executivo do grupo. Meu irmão do meio, Eduardo, é engenheiro agrônomo, cuida de nossas fazendas no Paraná, Mato Grosso e Piauí. E eu sou o caçula. Quando voltei a atuar no grupo, que é uma holding, nessa ideia de diversificar as áreas, montei um negócio voltado a um empreendimento imobiliário. Não deu certo. Quando vi que os negócios imobiliários estavam em queda, fomos para o ramo de energia elétrica PCH, aquele já citado. Toquei esse negócio até 2018, quando decidi ser candidato e agora eleito.

 

Foi expressiva sua votação para deputado estadual?

Tive 32.216 votos, na primeira candidatura, com a graça de Deus. Minha maior votação foi na nossa região Sudoeste. Fiz votos em 256 municípios. Obviamente, em alguns deles eu fiz um voto. Agora, estamos nesse desafio enorme de buscar oxigenar a política, de renovação.

 

O que o senhor acredita em termos de renovação?


“A NÃO ALTERNÂNCIA DE PODER É O GRANDE CÂNCER DO PAÍS”


A não alternância de poder, vejo como um grande câncer do país. Essa perpetuação na vida pública. E isso não falo em renovação com relação à idade, acho essa ideia um pouco demagógica. Acho sim que se relaciona a pessoas que vem de fora do meio político. E para isso podem ser pessoas de 20, 40, 60 ou 80 anos. Eu entrei na política como retribuição a tudo que Deus me permitiu ter, e ao trabalho dos meus pais e avós.

 

Defina quais suas principais bandeiras na Alep?

O que eu defendo: um mandato participativo. Sou municipalista por ideologia. Quero estar presente, acredito que a política pode ser modificada se estivermos presentes na comunidade. Desde que assumi, esse será o primeiro fim de semana que passo em Curitiba, por conta de um casamento de amigo. Estou sempre na estrada. Temos que sair da Assembleia e entender a realidade dos municípios, da população.

 

Falando do Sudoeste, o senhor se dá bem com o chefe da Casa Civil?

Sim, me dou bem com o Guto Silva, ele é de Pato Branco, do PSD.


“DEFENDO MANDATO PARTICIPATIVO, SOU MUNICIPALISTA POR IDEOLOGIA. QUERO ESTAR NA COMUNIDADE”


O senhor sofre muita oposição na Alep?

O que acontece é o seguinte: temos que oxigenar a política porque, se isso não acontecer, os vícios permanecem. Temos deputados com sete mandatos consecutivos, fazendo da política uma profissão. Isso eu não defendo.

O plausível para um deputado é ter três mandatos: o primeiro para conhecer os trâmites da Assembleia, que são difíceis de entender. Os deputados levam um mandato para conhecer tudo. O segundo mandato seria então para plantar sementes e colher num terceiro mandato.

No meu caso, acho plausível plantar as sementes neste mandato e colher num segundo, isso porque já atuei na Alep anteriormente e conheço seu funcionamento. Já vivi a Assembleia.

 

Pensa em deixar a vida pública depois de concluir o mandato?

Presidente Bolsonaro: “quero muito acreditar nele”

Se o mandato for bem feito, bem executado e a população assim concordar, talvez possa galgar passos maiores. Mas não quero fazer da política uma profissão. Graças a Deus tenho “ganha pão”, uma estrutura que me dá sustentação. Deputado não é profissão, eu “estou” deputado, não “sou”.

Voltando à pergunta anterior, sofro oposição porque não votei na atual chapa diretora: Traiano na presidência e Romanelli secretário. Apenas eu

e os quatro deputados petistas (Tadeu Veneri, Professor Lemos, Arilson Chiorato e Luciana Rafagnin), dentre os 54 deputados, nos abstivemos; e um votou contra: o deputado Boca Aberta Filho, do PRTB. Ele votou contra por motivos pessoais, relacionados ao pai, que é deputado federal. Eu não votei porque não poderia ser incoerente com o que preguei na campanha com meus eleitores. E pensar que tivemos 22 novos deputados eleitos pregando a renovação…


“CHIORATO ME SURPREENDEU, POIS FOI CHEFE DE GABINETE DE GLEISI HOFFMANN”


O senhor mencionou os deputados petistas. Como é sua relação com eles, sendo do partido do Bolsonaro?

Gosto do Chiorato. Estamos em partidos opostos, eu no PSL do Bolsonaro e ele no PT do Lula, mas temos diálogo. Não gosto de extremismo, nem de direita nem de esquerda. Ele é jovem, vem de Apucarana, e mantém o diálogo. E me surpreendeu, já que era chefe de gabinete da Gleisi Hoffmann. Mas nas três ocasiões, até agora, em que precisei explicar algum projeto para o Arilson em votações, ele me ouviu. Os demais nem isso fazem, os radicais. Espero não me decepcionar no futuro, já que o conheço há apenas três meses.

Assembléia Legislativa (vista geral): “tem um orçamento enorme, exagerado, R$ 600 milhões”

Participa de alguma comissão?

Temos na Alep alguns cargos de lideranças em comissões. Eu participo de sete comissões como membro titular, e sou suplente da CCJ, a mais importante. Mas não exerço nenhum cargo de liderança nas comissões.

Sou o deputado que menos gastou verba de ressarcimento na Alep até agora, em quatro meses. A RPC e a Band até fizeram matéria comigo sobre isso.

Verba de ressarcimento mensal é em torno de R$ 33 mil: serviços profissionais técnicos, alimentação, moradia, aluguel de carros etc.

Você pode gastar e a Alep reembolsa. E todos gastam em torno disso. E o valor é cumulativo ao longo dos meses.


“ACHO IMORAL GASTAR COM ALIMENTAÇÃO NAS CIDADES EM QUE TENHO RESIDÊNCIA. NÃO GASTO COM CARRO COM DINHEIRO PÚBLICO, NÃO FAÇO NOTA FRIA…”


E por que gasta pouco com ressarcimento?

Eu acho imoral gastar com alimentação, por exemplo, nos locais onde tenho residência: Curitiba, Pato Branco e Palmas, que é terra do meu sogro Carles. Isso é uma concepção pessoal minha. Eu tenho moradia em Curitiba, não alugo nada. O mesmo em Pato Branco. Tenho meu carro próprio. Não alugo carro. E por aí vai, meus gastos têm sido entre R$ 3 e 5 mil por mês.

Não vou dizer que, em algum mês, não gastarei acima disso, digo apenas que não me balizo pelos demais. Não faço nota fria. Não pego dinheiro de volta de funcionários. E tenho apenas 50% dos funcionários de gabinete a que teria direito. Hoje, não preciso de mais gente. E não sou paladino da moralidade, só não preciso e atuo baseado na minha consciência.

 

E isso incomoda os colegas?

Sim, essas atitudes acabam por incomodar outros deputados. Quando aparecem as televisões mostrando os deputados que mais gastam, e que minha linha de corte está muito abaixo, isso incomoda. Não é a toa, depois disso a mesa executiva fez um ato dizendo que nós só podemos pedir ressarcimento se gastarmos R$ 8 a 10 mil reais. Então, se eu continuar nessa linha atual, teria de esperar dois meses para atingir a linha de corte para pedir ressarcimento, por exemplo.

Existe uma linha entre o que é legal e o que é moral. Não julgo quem utiliza toda a verba de gabinete, mas tenho minha consciência. Ao todo, temos por mês R$ 100 mil em cargos e salários, além dos R$ 33 mil em ressarcimento.


“É MUITO DINHEIRO, R$ 600 MILHÕES FAZEM O ORÇAMENTO DA ASSEMBLEIA… ”


O orçamento da Alep é exagerado, na sua concepção?

É muito dinheiro o orçamento da Assembleia. Com 54 deputados tem R$ 600 milhões por ano. Tem prefeitura por aí, com cerca de 100 mil habitantes, e orçamento de R$ 350 milhões. Metade da Assembleia.

Entendo que tudo que é permanente no sistema, é prejudicial. Um deputado estadual que está há 30 anos na mesma função? A pessoa precisa de 35 anos para se aposentar, e passa todo esse tempo como deputado? Sou contra.

E vou além: o Tribunal de Justiça tem um orçamento enorme também. É uma vergonha.

Isso que o Ratinho Junior está fazendo, de diminuir o repasse do fundo de participação, seria o ideal. Mas acho que ele não vai conseguir fazer. Ele quer diminuir a receita do Judiciário: TJ, Ministério Público e Tribunal de Contas.

 

Qual sua opinião sobre a reforma da previdência?

Para mudar, temos que dar o exemplo. Em nível estadual, fazer o corte de aposentadoria de governador é fundamental. Inclusive em relação a retroatividade para os ex-governadores que já recebem. Fizeram uma manobra para não aprovar o corte aos beneficiários e viúvas que, sejamos francos, não passam nenhuma necessidade. Elas não precisam disso.

Temos que diminuir do desembargador, do juiz, que se aposentam no teto máximo. Eles ganham muito dinheiro. Nos cartórios, é a mesma coisa, deveria ter teto. Já melhorou porque hoje tem concurso para cartorário, mas mesmo assim tem falhas: não tem aposentadoria compulsória, é vitalício, num serviço público. Não é certo.

Nosso país tem muito a ser melhorado, e passa por nós. Quando fazemos uma mudança nas urnas, quando a gente acredita que haveria mudança de conceito, de pessoas que representam a nova política, os parlamentares vão lá e votam no Traiano? Estão fazendo a velha política…


“MEUS PROJETOS AVANÇAM COM DIFICULDADES NA ALEP…”


Nesse contexto, seus projetos de lei estão avançando?

Avançam com dificuldade, com trâmite maior nas comissões. Mas acredito que, em termos estaduais, nossa legislação é eficiente. Não é carente. Temos legislações obsoletas para se aperfeiçoar ou extinguir.

Por exemplo, temos um projeto que determina a proibição de venda e comercialização de cachorros e gatos em clínicas veterinárias. Existe uma rede paulista, com mais de 90 lojas, que proibiu isso, porque descobriu que o criador que entregava os filhotes praticava maus tratos. Meu projeto de lei determina que apenas estabelecimentos credenciados pelos órgãos ambientais possam vender filhotes. Isso virou um comércio, mas existem muitos maus tratos. E só agora, depois de muita birra nossa, o projeto foi para a CCJ.

Outro projeto determina que as obras paradas coloquem placas explicando a razão de estarem paralisadas.

Temos um projeto sobre pedágios, que proíbe o aumento da tarifa nas praças em que o contrato original não esteja sendo cumprido a risca. Proíbe que as concessionárias aumentem a tarifa se não cumprirem uma duplicação, um acostamento ou uma sinalização e etc.

E esses três projetos estão andando em ritmo lento.

 

Falemos sobre o governo do estado. Você é da situação?

Cida Borghetti: “ficou só 8 meses…”

Sim, somos de situação. Meu partido apoia o governador, eu tive autorização para apoiar a Cida Borghetti. Temos uma relação de amizade grande, é uma bela figura. Fui o único dos oito deputados eleitos a não apoiar o Ratinho na eleição, mas hoje faço parte da base.

Não gosto quando atacam o governo passado por razões infundadas: por exemplo, a governadora deixou o caixa com R$ 5 bilhões, e eles não admitiam isso. Dizem que é menos.

Outra crítica que faço: o Ratinho Junior participou do governo Richa, ele sabia como estava o Estado, estava lá há oito anos. E falo governo Richa porque a Cida só ficou oito meses. Ele sabia o que ia encontrar.

Essa história de que não conhecia a realidade do Paraná é papo.


“SOU DA SITUAÇÃO, COM POSIÇÕES CRÍTICAS. RATINHO, POR EXEMPLO, FICOU OITO ANOS COM BETO RICHA…”


Mas admiro algumas atitudes como redução de secretarias, congelamento de salários dele e dos secretários, corte das próximas aposentadorias. São atitudes nobres. E nisso critico a Cida, aliás, que ficou apenas oito meses e também pediu aposentadoria de governadora.

O Ratinho foi eleito como governador dos pobres, pelo apelo do pai e etc. Daí é eleito e aumenta em 12% a tarifa da água. Alegavam defasagem de anos. Isso é um absurdo, tanto que caiu para 8% após nós, deputados, instigarmos o Tribunal de Contas a rever esse cálculo. Em que destaco a atuação Homero Marchese, do PROS. Vai ser candidato a prefeito em Maringá, tem um perfil muito bom. Também o Soldado Fruet nos ajudou nessa luta.

Quero dar sustentação ao governador no que for correto. Em pontos como esse da tarifa da água, ele não conta comigo.

Acho que a equipe dele poderia melhorar, entre o secretariado. O melhor deles, em minha opinião, é o Sandro Alex, da Infraestrutura e Logística. Acho ele muito bom. Outros eu já tentei marcar audiência três vezes, e nada.

 

Você e o Soldado Fruet atuam em conjunto?

Vamos ter uma CPI na Alep, em que provavelmente o Soldado Fruet será o presidente e eu o relator. Sobre a JMK, empresa que faz a manutenção das viaturas de polícia. Foi feita uma ação recente, do MP e Polícia Civil, que prendeu 14 pessoas pelo desvio acumulado de R$ 125 milhões de reais. É pra ser mais que isso, pelo que foi apurado. Superfaturavam peças como baterias, que custam R$ 90 e eram cobrados R$ 200.

 

Quais áreas prioritárias o senhor recomendaria ao governador?

Na infraestrutura, nossas estradas estão em estado precário. Os contratos com as pedagiadas vão acabar em 2021, precisamos fiscalizar. A BR 280 está num estado calamitoso, uma morte a cada dois dias, que liga o Paraná até Santa Catarina, no Sudoeste.

Têm também as rodovias 323, a 092, na minha região, todas em estado ruim. Por isso elogio o secretário Sandro Alex, ele é estudioso, está se dedicando, sabe onde estão as estradas vicinais inclusive. É um estudioso. Saber de todas as rodovias do interior de cabeça não é fácil.

 

E o que mais?

Na Saúde, em Laranjeiras do Sul, temos um hospital público ou filantrópico; tem maquinário para ter UTI, mas não consegue o custeio, que gira em torno de R$ 300 mil. Citando um exemplo.

Outro exemplo: saneamento básico. Quantos municípios estão sem?

Na educação, também temos estado precário. E vimos a Operação Quadro Negro, no governo do Beto, um absurdo. Em Palmas, uma das cidades mais frias do Estado, não tem quadra coberta. Os alunos jogam na rua. É difícil, falta infraestrutura mínima em muitas áreas.

Eu diria que esses são os pontos chave. Mas são muitas as áreas.

 

E na segurança?

Na segurança pública, os índices estão aumentando muito, apesar de eu confiar no comandante da PM, o Coronel Péricles. Temos fronteira, é preciso ter muito cuidado. Na minha região temos divisa com Argentina e Paraguai. Existe entrada de armas e drogas.

Ministros Tarcísio, Tereza Cristina e Paulo Guedes: admirações

E no plano nacional, descreva sua opinião sobre o presidente Bolsonaro.

Vejo com bons olhos, quero muito acreditar nele. Diferente do Ratinho, ele está entrando num terreno muito arenoso, pegando muitos anos de inoperância do governo de esquerda. O país quebrado. Gosto da equipe de ministros, o Guedes, o Moro, que dispensam apresentações, o Tarcísio da Infraestrutura, a Tereza da Agricultura. O primeiro escalão é de primeira linha.

Mas eu critico a intromissão dos filhos do presidente, que deveriam exercer papeis de parlamentares ao invés de interferir no governo. Eles são filhos do presidente, não fazem parte da presidência da República.

Tudo o que eu disser, além disso, pode ser prematuro. Acho válida a forma como ele não está se curvando ao “toma lá, dá cá” do Congresso, apesar de que ele precisa melhorar o “jogo de cintura” com o Centrão. Diminuir as “caneladas”, eles são um pessoal de difícil lida. Tem que ter pulso firme, mas não pode ser radical como o Collor, que desencadeou um processo de impeachment. E nem ceder tanto como o Lula, com o Mensalão, esquemas do BNDES, muitos acertos.


“ALCENI É MEU TIO, NOS DAMOS BEM. ELE SE DISTANCIOU APENAS POLITICAMENTE DE MEU PAI…”


E sobre seu tio Alceni Guerra?

Ao contrário do que pode parecer naquela nota da sua coluna, a gente não tem atritos, de forma alguma. Eu e ele nos damos bem. Vi que sua nota não era maldade.

Meu pai é empresário, tem 67, ele o Alceni uns 73 anos. Sempre foi braço direito dele. Temos três deputados na família, o Alceni, o Valdir e o Ivan. E o Alceni, sempre quem orientou no contexto era meu pai, que organizava tudo para ele. E quando ele não foi candidato, em 2006, meu pai orientou que ele escolhesse algum companheiro de longa data, para oxigenar. O Alceni discordou. Houve um desgaste natural entre os irmãos, um distanciamento político apenas.

Vejo maldade, por exemplo, em matérias como uma que a Gazeta do Povo publicou me chamando de “deputado mais rico da Assembleia”. E não por isso, é que eles fizeram uma “conta de padeiro”, sobre número de voto e o que declarei na campanha. E isso não representa a realidade, tem muito candidato que não declara tudo o que gastou, que declara R$ 400 mil e gasta R$ 4 milhões. Dinheiro frio. O meu foi todo quente, todo declarado.

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