domingo, 28 junho, 2026
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DEONILSON, A LONGA JORNADA DE UM EX-TODO PODEROSO

O ex-chefe de gabinete de Richa, Deonilson Roldo: enredado em denúncia envolvendo a Odebrecht.
O ex-chefe de gabinete de Richa, Deonilson Roldo: enredado em denúncia envolvendo a Odebrecht.

Deonilson Roldo, o antigo repórter pobre, vindo de Pato Branco para trabalhar nos jornais O Estado do Paraná e Folha do Londrina, anos 1980, merece ainda ser tratado como inocente. Não sei até quando.

Mas o fato é que   nos últimos quatro dias ele se tornou um personagem nacional, freqüentando os mais assistidos telejornais, ganhando espaço nos jornalões de Rio e São Paulo e  revistas do país, além do universo enorme das redes sociais. Tudo por conta de seu papel  agora desvelado,  de duplo secretário de Estado e suposto comandante de um balcão de  negócios,  em que pediria propina em troca de obras públicas.  E sobre o qual  o juiz Sérgio Moro deverá lançar seu olhar implacável.

TONY GARCIA VEM AÍ

Beto Richa foi enfático: não  autorizou ninguém a falar por ele, disse em sua defesa nesse episódico catastrófico e que apenas está se esboçando. E cujos desdobramentos tornam-se  imprevisíveis, com a entrada em jogo de Tony Garcia, cujo conhecimento com Moro dispensa apresentação, é histórico.

Tony e Beto foram,  por anos, vistos como  almas gêmeas ligadas pelo kart e outros lazeres. No momento, estariam na fase de “amor e ódio”. Assim, Tony promete  estar logo  no Jornal Nacional, entornando mais o  caldo, segundo informa Fábio Campana. Suas revelações, essas sim, serão dignas de um grande “thriller” em que o dinheiro público é o móvel de inúmeros crimes. A conferir.

MILAGRE” DEONILSON

O “milagre” Deonilson não é obra do acaso: nos últimos 14 anos, como secretário de Beto Richa e  seu principal conselheiro na Prefeitura de Curitiba (por seis anos) e por oito anos no Governo do Estado,  consolidou-se como alguém essencial para o filho de José Richa. Cedo, os olhos e ouvidos políticos mais atentos foram percebendo que a ligação do dois era, além de  fraterna, também de apoio mútuo. Cedo também, por isso, Deonilson, identificado por seu sotaque ítalo-eclesiástico comum a descendentes de italianos do Sul,  foi se tornando um intocável: todo o estabelecimento e aparato estatais o protegiam amplamente. Tornou-se um condestável. Ele tinha códigos muito pessoais de governança:  por exemplo, não atendia telefonemas senão os que lhe interessassem de alguma forma. Empresários, só recebia aqueles que estivessem na ponta do PIB estadual. Dizem,antigos auxiliares dele, que  Roldo  estabelecera um “índex”, com nome,sobrenome, profissão  e telefones de “chatos” que deveriam ser sistematicamente barrados, tanto em telefonemas quando em tentativas de audiência. Na verdade, eram pessoas e entidades que não interessavam ao  mundo imediato do Maquiavel  da Província.

TODO-PODEROSO
O poder de Deonilson era enorme.O que pode ser avaliado pelas duas áreas vitais que ele controlava com mão de ferro: a chefia de Gabinete do Governador e a Secretaria de Comunicação Social (nesta, ora presente por meio de “vigários” seus). Ninguém desconhece quão enorme são os tentáculos do Estado nessas duas áreas, para o bem e para o mal.

Agraciado no início do atual governo com um cargo de diretor de Gestão Empresarial da Copel – com salário de R$ 50 mil -, Deonilson continuava  com ar de poderoso. Afinal, a posição fora prebenda final a esse filho de família humilde,jornalista de raquítico histórico profissional, agora também apresentado como “dono de restaurante”.

A casa de pasto ajuda a explicar a vida de um burguês bem estabelecido na praça, e que não conseguia mais manter o comportamento interiorano  dos tempos em que Mussa José Assis o preparou para o jornalismo. Curiosamente, outro homem de Pato Branco – esse com capacidade comprovada – passa a ter papel vital no gabinete de Cida Borghetti: o ex-ministro da Saúde Alceni Guerra. (leia nota acima)

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