
Quem se deu ao trabalho de ler a delação completa do réu confesso Eduardo Lopes, proprietário da construtora Valor, encontrará nela uma série de incongruências. O depoimento é recheado de acusações infundadas, sem consistências ou provas. Tal como outras tantas de delatores que vão ao MPF e depois têm suas “confissões” ou anuladas, ou outras que, de tão frágeis, viram galhofa.
Uma das partes mais frágeis e confusas do documento é quando Lopes narra um esquema de troca de cargos envolvendo o ministro da Saúde, Ricardo Barros. O movimento teria ocorrido, segundo o delator, no início de 2015.
QUADRO NEGRO
Ora, se foi em 2015 a acusação não tem relação alguma com a Operação Quadro Negro, que investiga supostos desvios ocorridos na Secretaria da Educação até 2014. O único elo entre os fatos é a figura do próprio delator, Eduardo Lopes.
Ricardo Barros já anunciou que irá solicitar o desmembramento do inquérito e a abertura de sindicância no STF para apurar o vazamento da delação antes da homologação e do conhecimento pelas partes citadas.
ABSOLVIÇÃO DE LULA
Vale lembrar que recentemente o próprio Ministério Público Federal (MPF) solicitou a absolvição do ex-presidente Lula e a anulação do acordo de delação do ex-senador Delcídio do Amaral. Episódio que revela como é frágil o método da delação premiada.
