Um dos decanos do jornalismo brasileiro, Clóvis Rossi morreu na madrugada de ontem, em casa, enquanto se recuperava de um infarto. Rossi tinha 76 anos, deixa a mulher (eram casados há mais de 50 anos), três filhos e três netos. Muito querido na redação, capaz de um bom senso e equilíbrio raros, de longe um dos melhores textos do jornalismo.
56 ANOS DE CARREIRA
Rossi teve uma longa carreira que começou no Correio da Manhã, em 1963, incluiu uma passagem como editor-chefe do Estadão, além de ter atuado no Jornal do Brasil. Ele criou raízes mesmo na Folha de S. Paulo, desde 1980. Era, na imprensa, provavelmente o maior especialista em política internacional que havia. Sua cobertura do 11-M, a explosão por atentado terrorista de trens em Madrid, 2004, é antológica. Muito alto, vinha evitando viagens aéreas nos últimos tempos pelo desconforto das pernas.
Ganhou vários prêmios jornalísticos, entre eles o Maria Moors Cabot, da Universidade de Columbia, o da Fundação Nuevo Periodismo Ibero-Americano, criada por Gabriel García Márquez, e o Prêmio Ayrton Senna de jornalismo político.
ÚLTIMO TEXTO
Colunista e membro do Conselho Editorial da Folha, Rossi publicou seu último texto na quarta (12), intitulado “Boletim Médico”. Ele era, segundo o jornalista, “uma satisfação devida ao leitor, se é que há algum”. Seu estilo irônico e descontraído continuava no agradecimento aos colegas do jornal. “Até mentiram dizendo que estavam sentindo a minha falta”, escreveu.
Escreveu os livros “Clóvis Rossi, Enviado Especial, 25 Anos ao Redor do Mundo”, “Militarismo na América Latina” e “O que é Jornalismo” (1980), ainda usado em muitas faculdades de Jornalismo pelo Brasil.
CONVERSA COM BIAL
Em setembro do ano passado, Pedro Bial conversou com Clóvis e com o jornalista Antonio Britto sobre a memória da transição democrática com Tancredo Neves. Assista no link: https://globoplay.globo.com/v/7012338/programa/.