sábado, 25 abril, 2026
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De Biondi, memórias e a minha escolha para prefeito

Ney Leprevost; Frei Miguel de Botacin e Rafael Greca de Macedo
Ney Leprevost; Frei Miguel de Botacin e Rafael Greca de Macedo

“Conheço Rafael Waldomiro Greca de Macedo desde que ele tinha 17 anos, estudava Engenharia na UFPR. O jornalista Celso Nascimento atribui a mim e ao jornal Voz do Paraná – que eu dirigia com apoio dele, Celso, e Maí Nascimento – a responsabilidade pelo lançamento de Greca na vida pública”.

Este texto está sendo escrito às 10h41 min de quarta-feira, 12, Dia da Criança e de Nossa Senhora Aparecida. Sei que ele só entrará no ar no final-de-semana, na web. Há motivos pessoais que me levam a tanto adiantamento.

Faço esse esclarecimento dada à volatilidade das notícias nesses tempos de redes sociais e jornalismo digital (redes não são jornalismo profissional nem têm suas obrigações e compromissos).

Assim, resolvo fazer, como fazem em sociedades desenvolvidas jornais e revistas de expressão (sem mencionar jornalistas): proclamar minhas preferenciais eleitorais. Assim fazem, por exemplo, The Washington Post e The New York Times que se manifestaram a favor de Hillary nas eleições presidenciais norte-americanas, dentre outros grandes veículos de imprensa. Sem contar que revistas, como Times, sempre se declaram a favor de algum candidato na eleição dos EUA.

MINHA DECISÃO

Nessa linha, registro minha definição na eleição de Curitiba, segundo turno: optarei por Ney Leprevost.

No primeiro turno, em atenção a Cida Borghetti e por ver na sua jovem filha valores bem expressos e alinhados, fiquei com Maria Victoria.

Mas, afinal, por que a “pressa” em registrar minha posição?

As motivações são muitas. Mas nenhuma delas relacionada ao crescimento da candidatura Leprevost, que começou de mansinho, estava em terceiro lugar no primeiro turno, e acabou colocando-se na disputa com Rafael Valdomiro Greca de Macedo. E hoje até supera o atual ex-prefeito, conforme pesquisa da TV Bandeirantes divulgada na terça, 11 e devidamente registrada na justiça eleitoral.

Motivo que apressou minha manifestação foi a cobrança de muitos amigos e leitores tipo “você votará em quem?”

Concordei com a maioria deles: definições em temas como eleição de um prefeito são oportuníssimas.

MILIONÁRIO BIONDI

Ao mesmo tempo em que engatilhava minha pública decisão, ia contemplando a marcha da campanha. Na mesma quarta, 12, por exemplo, corria na praça de Curitiba que Nelson Biondi (uma das cabeças coroadas e mais caras do marketing eleitoral do país) estaria se mudando de armas e bagagens para cá, com uma finalidade: assumir o marketing da campanha de Rafael Valdomiro Greca de Macedo.

Esses rumores ferviam no mesmo dia, 12, em que Greca, em entrevista a Estelita Carazzai, dizia à Folha de São Paulo que ele mesmo é o próprio marqueteiro de sua campanha. O que soou desaforo à dedicação e competência de Marcelo Cattani, que o vem orientando (e com bom resultado até aqui).

Biondi trabalhou para João Doria, o prefeito eleito de São Paulo.

Seu currículo o coloca entre os 3 marqueteiros políticos mais preciosos do Brasil.

VERDADE DE CADA UM

Partilho da opinião de Marty Baron, o hoje diretor de redação do Washington Post, sob cuja comando o The Boston Globe promoveu impressionante devassa na Arquidiocese da cidade onde se instalara e prevalecia a ação de pedófilos com a omissão do arcebispo.

A devassa gerou o filme “Spotlights”, Oscar de 2015. Foi um trabalho de jornalismo investigativo sem paralelo e feito sem aparatos digitais como os hoje existentes. Investigação artesanal, coisa impressionante.

IMPARCIALIDADE

Baron é um dos que apostam no trabalho jornalístico para desvendar a verdade, “mais importante do que a imparcialidade”.

Ele acha – e tem autoridade para isso – que a busca pela verdade no trabalho jornalístico terá sempre que chegar, ao final e ao cabo, a uma conclusão: à verdade. Isso – deixa bem explícito – “sem precisar de usar subterfúgios como a mentira”.

CHEIRO DE POBRE

Faço questão de esclarecer, acredito que Ney será melhor para a cidade.

Pouco o conheço pessoalmente, admiro sua ação legislativa na área da Saúde Pública.

“Inteligente, alma de polêmica, Greca não teve pudores de se apossar muito bem dessa saudade dos tempos de Lerner que Curitiba tanto sente. E o resultado está aí…”

 

No momento, diante do quadro eleitoral, não tenho dúvidas que Ney Leprevost é a melhor escolha. A começar pelo fato de que sobre ele não pesam pendências judiciais (Greca responde a recursos do MPF sobre imbróglio que se envolveu em questões nebulosas, supostos escândalos com os bingos quando ministro do Esporte).

Também Ney não é acusado de apropriação indébita de bens públicos (móveis antigos). Muito menos é refratário à presença dos pobres em sua vida – não ‘vomita com cheiro de pobre’, como Greca disse ter ocorrido com ele, Greca de Macedo.

PROMESSAS VÃS

Não escondo o sol com a peneira, acho que Leprevost terá de chegar à verdade, mais cedo ou mais tarde. Terá de colocar no lixo (e pedir desculpas) a algumas de suas promessas absurdas, como a de baixar a tarifa do transporte coletivo. Tiraria dinheiro de onde?

Da mesma irresponsabilidade vive Greca, que, entre outras tantas promessas grandiloquentes e inexequíveis, começou a campanha prometendo pavimentar em seu possível mandato 3 mil quilômetros de vias da cidade.

Isso e outras tantas “deambulações” e voos de campanha.

As promessas dos dois não cabem no orçamento de Curitiba, como bem disse Gustavo Fruet, na nota em que se nega a apoiar qualquer um dos dois candidatos.

Fruet pode ser acusado de “obras zero”, mas é basicamente um homem de bom senso e honesto.

REI SOL

Conheço Rafael Waldomiro Greca de Macedo desde que ele tinha 17 anos, estudava Engenharia na UFPR. O jornalista Celso Nascimento atribui a mim e ao jornal Voz do Paraná – que eu dirigia com apoio dele, Celso, e Maí Nascimento – o surgimento de Greca para a vida pública. Pode ser.

Isto ocorreu, diz Celso, a partir de 1974, quando o atual candidato se expôs ao grande público, escrevendo artigos cheios de preciosismos sobre a necessidade de restaurar-se a Catedral de Curitiba. O que depois acabou acontecendo.

EXPLICANDO A “VOZ”

Esse surgimento do homem público Greca será um dos tópicos que Celso Nascimento, Maí e eu abordaremos no livro “A verdadeira face do jornal Voz do Paraná” (título provisório), que o jornalista Diego Antonelli começa a escrever, trabalho de “arqueologia” histórica de qualidade.

Uns meses depois, em 74, Greca começou a escrever a coluna “Tempos Modernos”, de crítica a costumes na sociedade abrangente. Mostrou-se um redator combativo, um tanto cômico, por vezes, medieval em seus embates cheios de firulas tridentinas.

BOA MEMÓRIA

Outras qualidades Greca demonstrava naqueles dias. Como ter dono de pouca leitura, sendo, no entanto, homem de privilegiada memória. Isso além de ser um incontrolável parlapateiro, marca que unia a outra, tão ou mais negativa: já naqueles dias encarnava o Rei Sol, incapaz de imaginar o astro rei girando em outro movimento senão o que, imaginariamente, faria em torno do próprio Greca.

PRIMEIRA CAMPANHA

Por dever de justiça, e porque não costumo me esconder, informo que a primeira campanha de Greca a prefeito de Curitiba, em 1992, ele a começou num almoço, em meu apartamento, na Sete de Setembro. Chamo como testemunhas o jornalista Fábio Campana (autor, na ocasião, de notáveis conselhos de marketing político ao candidato) e o advogado Vitório Sorotiuk.

CONSELHOS

Todos os presentes naquele almoço, demos sugestões ao candidato.

Margarita Sansone, então colunista social da Gazeta do Povo – e com quem Greca de Macedo se casaria em 2015 no civil -, foi voz ativa na reunião. Tinha algumas observações prudentes, por vezes colocando freios na grandiloquência daquele ego já enorme de Greca.

NO IPPUC

Depois, a pedido de Jaime Lerner e Fani cheguei a ajudar na campanha de Greca e, mais tarde, a ocupar cargo em comissão por sugestão de Jaime Lechinski, tendo sido nomeado por Greca para atuar no IPPUC. Dessa “Sorbonne do Juvevê” depois me tornaria funcionário concursado. Lá, me orgulho, com apoio de Cassio Taniguchi, de ter realizado um dos melhores trabalhos de memorialista de minha vida.

CURITIBA URBANA

Foi quando comandei a edição do livro “Memória da Curitiba Urbana”, colhendo depoimentos de nomes históricos do planejamento urbano de Curitiba – Dely, Jaime Lerner, Stephanes, Fanchette Rischbieter, Gama Monteiro, Ceneviva, Nicolau Kluppel, Dulcia Aurichio, Lubomir Ficinski, Manoel Isidro Coelho…

Greca nunca esteve entre os que apoiaram a revolução urbana dos tempos de Lerner. Era um mero estudante naqueles dias.

A “MALDIÇÃO”

Inteligente, alma de polêmica, Greca não teve pudores de se apossar muito bem dessa saudade dos tempos de Lerner que Curitiba tanto sente. E o resultado está aí: ele quer voltar a um tempo que Lerner construiu.

Antes terá que passar pela consulta ao povo, a “consulta aos russos”. E também terá de vencer a tão citada “maldição de frei Miguel de Botacin”…. Assunto para depois de 30 de outubro…

Vitório Sorotiuk; Fabio Campana e Jaime Lerner
Vitório Sorotiuk; Fabio Campana e Jaime Lerner

 

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