Em longa entrevista (publicamos alguns trechos), o midiático Deltan Dallagnol revela que a Operação “Gafanhotos”, que apurou roubalheiras na Assembleia Legislativa do Paraná, “saiu das mãos do MPF por causa do foro privilegiado e seguiu pelos caminhos normais do sistema judiciário. “Foram milhões e milhões de reais desviados, mas os processos ou já prescreveram ou estão para prescrever. Tudo acabou em pizza”.
BANESTADO

No ano seguinte, em 2004, o procurador federal passou a atuar no caso Banestado, que investigou o desvio de bilhões de reais e de dólares do Brasil. “Oferecemos acusações criminais contra centenas de pessoas”.
SÓ UMA PUNIÇÃO
Segundo levantamento recente do jornal Gazeta do Povo, de todos os casos, apenas um terminou em punição.
Alguns processos ainda correm na Justiça. Outros já prescreveram ou estão perto de serem anulados, “como se nunca tivessem ocorrido”.
AUDITORES CORRUPTOS
Em 2005, o foco de outra investigação eram auditores da Receita Federal, envolvidos em crimes de corrupção.
Dallagnol conta que passou muitas noites em claro. “Não sou pago para virar as noites trabalhando. Nada ia acontecer de ruim comigo se não montasse as acusações criminais durante a madrugada, mas fiz para prestar um serviço à sociedade, assim como fazem vários outros colegas por todo o país”. O caso que envolvia réus influentes chegou ao tribunal, mas foi anulado.
“Todas as provas que a investigação recolheu com a quebra de sigilo bancário e as interceptações telefônicas dos envolvidos escorreram pelo ralo”, lamenta.
