
Uma história de vida, como a de Antonio Luiz de Freitas, fundador e presidente da Master Comunicação, não cabe num mero resumo jornalístico.
Digo isso em função da notícia muito expressiva: Antonio Luiz de Freitas foi escolhido Publicitário do Ano no Prêmio Colunistas do Brasil de 2016.
E a Master venceu ainda um Grand Prix e seis Ouros. Isso significa que a láurea maior do mundo publicitário brasileiro ficou com o Paraná.
O resultado no Colunistas Brasil reflete os prêmios recebidos na edição regional do Colunistas, na qual a Master foi eleita Agência do Ano, além de ter levado três Grand Prix, dez Ouros, duas Pratas e três Bronzes.
Tanto reconhecimento assim dirigido à organização comandada por Freitas tem significação especial para o Estado. Afinal, a história dessa que é uma das 20 maiores empresas de comunicação do País é parte substantiva de alguns anos do século 20 e prosseguindo no 21.
RADIALISTA
Antoninho – como o chamam os amigos mais próximos – é um case típico de vencedor numa sociedade capitalista, e na qual a meritocracia deve prevalecer. E ele é fruto exclusivo da meritocracia – “o mérito é a verdadeira cota com que ele abriu portas”, diz o jornalista e ex-deputado Constituinte de 1988, Airton Cordeiro. Eu mesmo fui testemunha próxima da carreira dele, e a retratei, em parte, no meu livro Vozes do Paraná, volume 3.
O moço veio de Palmeira para Curitiba para estudar Direito, nos anos 1960, e o rádio foi seu primeiro caminho de subsistência na Capital. Foi ser locutor na Rádio Ouro Verde.
Depois, o fidalgo profissional, um construtor de pontes em relações humanas, foi experimentando novos voos. O mais expressivo deles, ao se tornar repórter de Economia do jornal O Estado do Paraná, sob o incentivo e o apoio de Mussa José Assis.
Suas análises oportunas da realidade econômica do país e do Paraná – de forma particular – chamaram a atenção de notáveis do mundo da administração pública.
GOVERNO CANET
Novos passos da carreira de Freitas colocaram-no em posições importantes, na Secretaria da Fazenda, onde assessorou secretários de Estado, como Maurício Schulman. Fez-se também uma espécie de consultor informal de outros notáveis daqueles dias, como o ex-ministro Affonso Alves de Camargo Neto, assim como sua ação ganhou credibilidade especialmente, anos depois, na administração de Jayme Canet Junior no Governo do Paraná. De Canet foi secretário de Imprensa.
No paradigmático Governo Canet, Antonio de Freitas estabeleceu claramente quão competente seria em comunicação governamental. Com o apoio de seu amigo Belmiro Valverde Jobim Castor, o “alter ego” de Canet Junior, desenvolveu uma comunicação governamental de alcance educativo: passava uma mensagem de otimismo em torno das obras de governo, ao mesmo o tempo em que transferia propostas pedagógicas as quais o contribuinte iria absorver. Uma dessas propostas, por exemplo, envolvia a participação comunitária na preservação do patrimônio escolar, com pais e mestres ajudando a manter as escolas.
Boa parte dos bons resultados colhidos pela administração Canet tiveram o dedo e as propostas de Freitas, disso não tenho dúvidas.
NA CALIFORNIA
Com as duas filhas ainda crianças e a então esposa, Freitas foi, ao fim do Governo Canet, cursar Mestrado em Comunicação na USC, o grande centro universitário da Califórnia. Por sinal, a mesma universidade onde – e no mesmo tempo – seu amigo Belmiro faria Mestrado e depois doutorado em Administração Pública.
Na USC Antoninho escolheu uma área de estudos e, para defesa de sua tese, a televisão a cabo, uma novidade para o Brasil, no final dos 1970, mas já realidade então nos Estados Unidos. Dentre seus colegas de curso estava o hoje mundialmente conhecido diretor de cinema Walter Moreira Salles.
Inventivo e inquieto, com amplo faro para o mercado e boa aceitação no mundo dos negócios – ao qual fora introduzido por ligações fraternas de notáveis do grupo Canet -, ao voltar ao Brasil no começo dos 1980 Freitas associou-se a companheiros publicitários, como Ernani Buchmann, e fundou a Master Comunicação. A empresa, da qual passaria, pouco tempos depois a ser o único proprietário, foi, desde então, um case de empreendimento bem-sucedido.
Com olhos e ouvidos muito bem treinados – e que Antoninho atribui em grande parte à sua experiência jornalística, “insubstituível” – ele passou a ser, no meio, a “própria imagem do sucesso”, como diz um velho amigo do publicitário vencedor de 2016.
Bom negociador, experiente na escolha da matéria prima básica de seu ramo publicitário – talentos com alto potencial criativo – Antonio Luiz de Freitas cedo alargou os horizontes da Master: estabeleceu escritórios e representações da empresa nos principais mercados do país e no centro do poder, Brasília. Chegou mesmo a manter programa de cooperação mútua com agências internacionais de comunicação.
No portfólio da Master há o registro, desde o começo dos 1980, de contas nacionais de grande expressão, como o Banco do Brasil, o Ministério da Saúde, o INSS. E mais que isso: o portfólio exibe um número cada vez maior de premiações e reconhecimentos públicos. Mais que isso: a Master de Freitas desde há muitos anos – antes mesmo do fenômeno das redes sociais – já prospectava os caminhos do futuro de sua especialidade, tendo montado, e desenvolvido um setor de pesquisas que vai lhe indicando “os sinais dos tempos”.
Viva o Antonio Luiz de Freitas.
