Hospital Santa Cruz e Universidade Positivo (UP) chegaram despedindo quadros promovendo arroxo salarial
Hospital Santa Cruz
A entrada de grandes corporações nacionais nos ramos educacional e hospitalar paranaenses tem de ser examinada com um olhar crítico; um olhar paranista, mas marcado por forte bom senso.
Se não, vejamos as distorções facilmente observadas – como a Coluna tem examinado – com a compra da Universidade Positivo pela Universidade Cruzeiro do Sul, conglomerado paulista de ensino superior que desdobra sua presença em todo o país, quase sempre sem alterar o nome original das universidades e centros universitários e faculdades que adquire.
ELIMINA QUALIDADE
A nova Universidade Positivo estaria francamente “livrando-se” de um ensino de alta qualidade e passando a priorizar o EAD, que exige menos custos com professores, e que, claro, alivia consideravelmente as despesas.
Por exemplo, não está mostrando nenhuma preocupação com o Mestrado e o Doutorado de Odontologia, colocando na rua seus melhores mestres. Esse pós é nota máxima do MEC, até agora.
César Kubiak: o preço da qualidade. Foto: Cruz Vermelha Brasileira (reprodução Youtube)
CUMPRIR A LEI
A tendência, depois de eliminar alguns cursos presenciais, será a de manter poucos deles. Apenas para cumprir a lei. Até agora as despedidas de professores e coordenadores altamente qualificados teriam chegado a 300. Uma parte dessas demissões este espaço noticioso registrou, citando nomes. Como também registrou a carta de educadores à CAPES, denunciando o desmontem de áreas da UP, em nome da mercantilização do ensino.
“GANHA MUITO”
Os exemplos de perdas nominados pela Coluna são muitos. No caso da Medicina, além da demissão do internacional Cícero Urban, e outros, quero registrar também a eliminação do médico, de enorme importância na vida paranaenses: César Kubiak, dos quadros de professores da UP. O motivo, um só: estaria custando muito à universidade…
O que Kubiak ganhava, todos sabem, era apenas compatível com o cargo e com seu histórico profissional.
NO SANTA CRUZ
A desvalorização de quadros médicos de alto nível está atingindo também o Hospital Santa Cruz, de Curitiba, que a família Leal vendeu para o grupo médico paulista Copa D’Or (por R$ 800 milhões?).
Dentre os eliminados pela nova direção do referencial hospital chegam à Coluna diversos nomes. Um deles, Laís Kubiak, médica que recebeu o bilhete azul sob muito clara explicação: estaria custando muito caro ao Copa D’Or “para fazer plantão”.
Quer dizer, então, que pode-se trocar quadros muito qualificados porque “custam caro?”. Nomes “baratos” – e com que qualificação – vão substituí-los? Vidas não importam, brancas, amarelas ou negras?
DERMATOLOGISTA NEY
Os absurdos continuam: Ney Alencar, um dermatologista de primeira linha na boa medicina curitibana, teria recebido oferta para lecionar sua especialidade numa universidade local pelo “surpreendente” salário de R$ 1 mil/mês.
Observação necessária: as demissões no Santa Cruz e na UP começaram muito antes da pandemia que, agora, até poderia servir de desculpa para a nova ordem de mercantilização do ensino e da saúde.