quarta-feira, 29 abril, 2026
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Conselho de Ética da Câmara inicia oitivas do caso Renato Freitas

Vereador Renato Freitas, do PT. (Foto: Carlos Costa/CMC)

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar iniciou hoje, 28, a oitiva das testemunhas arroladas pela defesa do vereador Renato Freitas (PT), no Processo Ético Disciplinar (PED 1/2022), que tramita no âmbito da câmara municipal de Curitiba . O processo apura se houve quebra de decoro parlamentar na conduta adotada pelo vereador Renato Freitas, durante a manifestação antirracista na frente da Igreja de Nossa Senhora dos Pretos, no dia 5 de fevereiro, que terminou com a entrada dos manifestantes na Igreja. O relator Sidnei Toaldo conduziu a oitiva das duas primeiras testemunhas que serão ouvidas no caso, o advogado Darci Frigo e Tãnia Mara Pacifico Hreisemnou.

A defesa de Freitas arrolou 41 testemunhas para serem ouvidas no processo, mas o Código de ética e decoro da casa limita o número de testemunhas para no máximo 10. O advogado de defesa Guilherme Gonçalves interpôs recurso, alegando cerceamento de defesa e pedindo a remarcação das oitivas, argumentando que cinco dias úteis não são tempo hábil para intimar todas as testemunhas. O presidente do Conselho de ética, vereador Dalton Borba (PDT) conduziu os trabalhos, e no início da audiência ouviu as considerações do advogado de defesa do representado, Guilherme Gonçalves, acerca do recurso protocolado no conselho no dia 25 de março, que pediu que o conselho reconsiderasse o número de testemunhas de defesa a serem inquiridas nesse processo, com a oitiva de 10 testemunhas para cada fato alegado no processo, como ocorreu anteriormente no caso da ex-vereadora Fabiane Rosa. O advogado também requereu que as imagens das câmeras de segurança das imediações da Igreja, no Largo da Ordem, sejam anexadas e juntadas ao processo.

O presidente do Conselho de ética, vereador Dalton Borba, com a anuência dos demais membros do conselho reconsiderou a decisão, e definiu que as 30 testemunhas arroladas pela defesa serão ouvidas em duas audiências, nos dias 4 e 11 de abril, e determinou também que as imagens sejam juntadas ao processo ainda esta semana, para não prejudicar a defesa. A intimação das testemunhas ficará sob a responsabilidade da defesa, e o representado, vereador Renato Freitas, será ouvido após a oitiva das testemunhas, no dia 11 de abril, conforme acordo firmado entre os membros do conselho e a defesa, na reunião desta segunda-feira. “ É dever dessa casa assegurar o devido processo legal, com a ampla defesa e o contraditório, respeitando os direitos constitucionais do representado. A defesa está assegurada admitindo precedentes nessa casa, serão ouvidas 10 testemunhas por cada fato”, explicou Borba.

Como as oitivas foram divididas em 3 datas diferentes, e conforme determina o Código de Processo Civil, art 456, as testemunhas devem ser ouvidas separadamente, e uma não poderá tomar conhecimento do depoimento das outras, e por isso essas oitivas não estarão disponíveis no You Tube e nem nas redes sociais da Câmara, e nem tampouco serão anexadas ao processo eletrônico. Por isso, a audiência que estava sendo transmitida pelas redes da casa hoje, foi encerrada antes do início do depoimento das duas primeiras testemunhas ouvidas nesse processo.

Igreja do Rosário. Foto: Curitiba Space

POSIÇÃO DA MITRA DIOCESANA

Foi juntado ao PED 1/2022, em resposta a pedido do relator Sidnei Toaldo, um ofício no qual a Mitra da Arquidiocese de Curitiba diz que o protesto “abreviou a missa” e que houve “desrespeito pelo lugar sagrado”. Contudo, diante do pedido de desculpas do vereador à Igreja, a Arquidiocese de Curitiba pede “medida disciplinadora proporcional” e que “não se adote a punição máxima [da cassação do mandato]”. Quem assina o documento é a procuradora Cynthia Glowacki Ferreira.

Com a repercussão do documento na imprensa, o presidente do Conselho de Ética, Dalton Borba (PDT), esclareceu aos jornalistas que a manifestação da Mitra será juntada aos autos e considerada com as outras provas colhidas durante a instrução do PED 1/2022. Ele lembrou, afastando a formação de juízo de valor prévio sobre o processo ético disciplinar, que, no momento, ainda se está na fase de produção de provas, com, por exemplo, a tomada de depoimentos das testemunhas do caso.

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