
Não há definição melhor. Trata-se de um circo. Com bandeirolas, malabares, rugidos, miados, gritos de guerra e um ou outro espetáculo l, Lula volta a Curitiba na quarta-feira (13), para mais um cara a cara com o juiz Sérgio Moro. Com ele, a turba convocada pelas centrais sindicais, cujo levante coincide com a queda do PT e a vocação da legenda com vontade de ‘quero mais.’
A data deveria ser cabalística, 13, também o número do partido, mas não é. Lula recusou a sugestão de Moro por uma videoconferência para evitar gastos necessários de longa data convencidos.
COMPRA DE TERRENO POR R$ 12,4 MILHÕES
Desta vez, o petista é réu no processo que trata suposta irregularidade na compra de terreno para construção do Instituto Lula. O Ministério Público Federal diz que o terreno foi pago pela Odebrecht com dinheiro de propina, num total de R$ 12,4 milhões. Lula nega.
Se o MST retornar a Curitiba como é esperado, a área de acampamento deve ser a mesma cedida pela Rede Ferroviária Federal, há quatro meses. As convocações nas redes sociais, entretanto, não ganharam a adesão do primeiro depoimento do ex-presidente. Talvez porque o apelo agora seja menor.
O SOFÁ DO ROCHINHA
Se repetir a agenda, Lula deverá seguir para o escritório do advogado Luiz Carlos da Rocha, na Rua Estados Unidos, no bairro Boa Vista, e esticar as pernas no sofá que Rochinha, como é conhecido, mantém em sua sala. Ele é amigo pessoal de Roberto Teixeira, o notório advogado de Lula. Foi atendendo a pedido dele, aliás, que Rochinha fez os arranjos para que o ex-presidente descansasse em seu escritório antes do depoimento ao juiz Sérgio Moro. O advogado curitibano não é filiado ao PT, nunca foi, mas critica o tratamento “hagiográfico” ao juiz federal.
OVOS E VANDALISMO
Do prédio da Justiça Federal, o petista deve seguir, por volta de 18 horas, para o centro da cidade, onde participará de ato que faz parte da 2ª Jornada de Lutas pela Democracia, uma bobagem oportuna que é organizada para justificar o discurso do líder petista. De outra forma, não aconteceria.
A manifestação na Praça Generoso Marques, em frente ao Paço Municipal, não ocorre por acaso. Há dois meses, foi perto dali, no Largo da Ordem, que a senadora petista Gleisi Hoffmann convocou, por meio do Twitter, um protesto a que deu o nome de “Grito por Justiça”. Não por acaso no mesmo dia e local do casamento da deputada Maria Victória (PP), filha da vice-governadora Cida Borghetti e do ministro Ricardo Barros (Saúde).
Ela depois apagou a mensagem, mas o estrago estava feito. Com ovos, violência e vandalismo.
ALERTA AOS ORGANIZADORES
Avisa-se aqui de antemão: a praça é pequena, de ruas e acessos estreitos, e os prédios que a circundam são históricos. Se houver algum tumulto ou confronto, e espera-se que isso não ocorra, o risco de um desastre é grande. Em maio, Lula falou aos manifestantes na Praça Santos Andrade, tradicional palco de manifestações em Curitiba, localizada em um espaço amplo e central.

