
A ministra Carmen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), não está surpreendendo ninguém bem informado. Ela continua a ser o que sempre foi, desde os tempos de estudante em BH, quando enfrentou, por exemplo, tentativas de cerceamento político-policial, a ela e a seus colegas universitários, do direito à livre manifestação.
Na recente entrevista ao “Roda Viva”, de TV Cultura, ela não precisou jorrar conhecimentos jurídicos – que os tem de sobra –nem empunhar as chamadas bandeiras ‘libertárias’. Passou sem dificuldades, e com grande capacidade de atração aos interlocutores, às indagações de algumas feras do jornalismo do país.
Afinal, sendo, como é, um ser translúcido, só poderia ter sido assim mesmo.
Ainda na semana, quinta-feira, que passou, Carmen Lúcia tocou numa das chagas mais empedernidas da vida nacional: os presídios, depósitos de seres humanos, estopins de rebeliões e viveiros-escolas de criminalidade. Foi quando foi conhecer parte de um dos mais temíveis endereços do temível sistema prisional brasileiro, o do RN. Com direito a passagem pelo exemplar Presídio Federal de Mossoró.
MULHER DE FÉ

Meu amigo Edson Gradia, braço direito e fidelíssimo escudeiro de Álvaro Dias, pouco antes de a ministra assumir o STFC, encontrou Carmen Lúcia no aeroporto da Cidade do Panamá. Deu-se a com conhecer, e trocaram diálogo ameníssimo. Encontraram pontos de apoio comuns: os dois se deram a conhecer como praticantes da doutrina católica.
“Como a ministra, sou congregado Mariano, consagrado a Maria”, explicou Gradia, para sugerir a qualidade do diálogo.
– A ministra estava confiante diante do novo desafio que assumiria.
Apenas se confessou “um tanto cansada”. “Mas sob as bênçãos da Virgem”, disse ela.
LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Carmen Lúcia não gera mesmo surpresas.
Vem se comportando na Presidência do STF da mesma maneira com que tem agido na Casa desde que lá chegou: clara, meridiana, segura na defesa das linhas mestras de seu conhecimento e suas crenças. Tudo pautado pelo Direito e na fidelidade à Constituição.
Quem não se lembra, por exemplo, da frase lapidar com que Carmen Lúcia marcou um voto seu sobre a questão da censura às biografas, quando pôs por terra teses arbitrárias, como a defendida pelo cantor Roberto Carlos. A ministra cravou:
– Cala boca já morreu…
O brado virou mote nacional quando se protesta contra censura ao direito de opinar.
