
Estimo em 700 pessoas o público que foi à disputadíssima celebração dos 70 anos do SESI, que a Federação das Indústrias do Paraná (FIEP) e a Superintendência do Serviço Social Indústria promoveram na noite de terça-feira, 12, no auditório do Campus da Indústria, no Jardim Botânico.
Só entrava no auditório quem tivesse colocado pulseira identificadora, depois de checagem de seu nome numa ampla lista de convidados, desde Vips a simples funcionários do sistema FIEP e SESI.
Eu esperava uma pura festividade. Mas acabei registrando, num rápido e substancioso improviso de Edson Campagnolo, presidente da FIEP, uma declaração de certa forma bombástica: o dirigente patronal pregou que o governo Temer promova um amplo reajuste da economia e administração pública. E deu a fórmula, com ênfase:
Para que isso aconteça, pregou, por exemplo, a redução de salários dos servidores públicos, a contenção de gastos da União, uma austeridade fiscal que, disse, poderá ter como modelo aquela que a Irlanda promoveu a partir da crise de 2008.
“A Irlanda é hoje a economia em maior desenvolvimento da Europa”, assegurou Campagnolo.
Um dos pontos salientes de Campagnolo: a indústria é a pedra de esquina, disse, para a retomada do desenvolvimento.
Ironicamente, a fala do dirigente empresarial soava, no mesmo dia, 12, como pregação no deserto: o Senado aprovava, na data, aumento para servidores da União, inclusive militares. Um enorme impacto em qualquer política de ajuste fiscal, em tempos de R$ 172 bilhões de déficit público.
OS CANTORES

Cronometrada, a festa, na sua primeira parte, obedeceu à risca o estabelecido pelo cerimonial. A ponto – observei – de um mestre de cerimônia, discretamente, ter colocado um aviso no púlpito de onde Campagnolo fazia o discurso de encerramento, avisando-o do tempo de que dispunha.
Prático, acostumado à disciplina, o presidente da FIEP dirigiu-se ao funcionário: “… vou terminar antes disso”.
Uma das características da FIEP é o cuidado com o tempo, mesmo em grandes celebrações como aquela. Mais ainda porque boa parte do auditório não escondia sua expectativa pelas partes seguintes da noite: o coquetel e, depois, o show de Chitãozinho e Xororó.
A dupla faria, antes da apresentação, concessão a um grupo de privilegiados convidados, capitaneados por Campagnolo e a esposa Sueli, e José Antonio Fares e a esposa Michele (ele, superintendente do Sesi) e dirigentes nacionais da CNI/SESI e outros convivas: num espaço especial, os irmãos cantores deixavam-se fotografar com esses convivas.
As fotos-troféu deles estão no site da FIEP/SESI.
BELMIRO E ZÉ EDUARDO

A noite foi impecável do ponto de vista de festividade, e pela forte dose de reconhecimento a dois nomes gigantes do Paraná contemporâneo, Belmiro Valverde Jobim Castor, e José Eduardo de Andrade Vieira, homenageados “post mortem” com o prêmio mais expressivo da FIEP, o Pinheiro de Ouro.
Elizabeth Castor, viúva de Belmiro e dirigente do Centro de Educação João Paulo II, e Alessandra Vieira, filha de Zé Eduardo, receberam o troféu, muitas palmas e palavras de enaltecimento às obras dos homenageados, na fala de Edson Campagnolo, presidente da Federação das Indústrias.
JOÃO PAULO II
A grande ênfase da noite foi dada ao Centro Educacional João Paulo II, obra de valorização humana, ofertando educação de qualidade a crianças de área periférica de Piraquara, criada por Belmiro e Elizabeth com apoio de instituições como o SESI e FIEP.
Campagnolo é organizado e muito político também: em mãos tinha fichas, com nomes de pessoas presentes às quais dirigiu palavras de especiais agradecimentos. Um dos contemplados foi o reitor Zake Akel, da UFPR; outro, o secretário de Assuntos Estratégicos do Paraná, o ex-vice-governador Flávio Arns; José Antonio Fares, superintendente da FIEP; eu entrei nesse rol, reconhecimento ao apoio que tenho oferecido, desde o seu começo, ao Centro João Paulo II, do qual sou conselheiro e fui presidente.
HOMEM DE FÉ
Há quem discorde da ênfase que Campagnolo dá à questão da fé e da espiritualidade em sua ação na FIEP. Evangélico (ao que consta, ligado agora à Igreja Aba), ele se mostra bastante ecumênico; sabe que a sociedade paranaense é multirreligiosa, com predominância católica.
Na noite, o padre Alex, da Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Curitiba, apresentou uma apropriada – e muito bem encaminhada – mensagem a propósito dos 70 anos do SESI. Falou do Bom Samaritano, aquele que recolheu o ferido que jazia na estrada, segundo o relato de Jesus.
Comparou o Serviço Social da Indústria, obra social de enorme capilaridade, à ação do Samaritano.
Ganhou aplausos.
Enfim, uma noite memorável. Nela se mergulhou na História (a história do SESI), se prestaram tributos a paranaenses excepcionais (Belmiro e José Eduardo), ouviram-se palavras de prudentes recomendações (Campagnolo, pregando ajuste duro da Economia), e cantores populares (a dupla de irmãos) alegraram um público que também alegrar-se, num tempo de incertezas. E como…
UMA NOTA À PARTE
Homenagem simpaticíssima foi o aperitivo ofertado aos convidados, das 18h às 19h30, no átrio da FIEP, quando foi servido o “caldinho de feijão”. Era característico de Belmiro, maneira com que ele recebia seus convidados no Centro Educacional. Tão marcante, o caldinho ganhou caneca especial na noite de 12, com gravura do rosto de Belmiro, concepção do chargista Paixão.
A proposta da FIEP é que a canecas sejam caminho para doações ao João Paulo II.
