sexta-feira, 8 maio, 2026
HomeMemorialCAIXA ZERO

CAIXA ZERO

96-GALINDO
Rogério Galindo: na berlinda

Os poucos que sobreviveram estão construindo sua carreira de modo diversificado. É o caso de Rogério Galindo. Ele é o titular do Blog Caixa Zero, um diário eletrônico de política muito prestigiado em Curitiba, ainda que alguns o acusem de adotar um viés de esquerda. Bah!

TRADUTOR DE BOB DYLAN

Galindo é um tradutor literário. Traduziu, entre outros, “O Dicionário do Diabo”, de Ambrose Bierce; “Os Romanov” de Simon Sebag Montefiore (vários tradutores), e “O Vendido” de Paul Beatty, que acaba de chegar às livrarias e mereceu resenha de quatro páginas na “Veja” desta semana.

Ele também transpôs para o português a tentativa de Bob Dylan de escrever uma obra beatnik. O livro chama-se “Tarântula” e, fosse por ele, convenhamos, a academia sueca jamais teria pensado no nome de Dylan para o Nobel de literatura, a não ser na categoria “bomba” que, aliás, fez a riqueza do criador do prêmio (Alfred Nobel).

VENDEDOR DE ENCICLOPÉDIAS

E por que não se valoriza e se dá destaque a um profissional de tanta relevância? Lembremos: o “mal” é de família. O professor Caetano Galindo, irmão de Rogério, foi quem ousou traduzir novamente o “Ulisses”, de James Joyce, quando sua primeira versão em português havia sido o trabalho de quase uma vida de Antônio Houaiss. Ambos, Caetano e Rogério, têm história belíssima. O pai, a quem idolatravam, os educou vendendo enciclopédias de porta em porta.

TOM E TIÃO

Bob Daylan e Mark Twain
Bob Daylan e Mark Twain

Há um personagem do livro de Paul Beatty, que se dedica a fazer revisões raciais de clássicos americanos. Mas observe-se: de modo inverso, fazendo com que os personagens brancos ganhem versões negras. Caso de Tom Sawyer, de Mark Twain, por exemplo. A inspirada tradução de Galindo transformou Tom em Tião. O Tião Sawyer. É um regalo que sobrevive ao caldo autofágico que nos quer fazer a todos iguais e nulos. É o caso de dizer a quem interessar possa: há talentos nos jornais e fora dele. Só não há jornais. Traduza como quiser.

Leia Também

Leia Também