Assessoria – A ideia de que a vida profissional termina aos 60 anos está cada vez mais distante da realidade brasileira. Em 2024, 36,2% das pessoas entre 60 e 69 anos estavam ocupadas no país. Mesmo entre os brasileiros com 70 anos ou mais, 10% continuavam trabalhando, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE. Entre os homens de 60 a 69 anos, o percentual chega a 48%.
Os números acompanham uma transformação demográfica que tende a impactar cada vez mais o mercado de trabalho. De acordo com o IBGE, a proporção de brasileiros com 60 anos ou mais passou de 8,7% da população em 2000 para 15,6% em 2023. A projeção é que, em 2070, 37,8% dos brasileiros tenham 60 anos ou mais.
A maior presença de profissionais maduros no mercado de trabalho ajuda a explicar o conceito NOTES – New Older Living Trend, que propõe uma nova maneira de enxergar a maturidade e questiona a associação entre envelhecimento e perda de produtividade. Pessoas que chegam aos 60, 70 anos ou mais permanecem estudando, empreendendo, liderando equipes, atuando como consultores e até iniciando novas carreiras.
Para Alexandre Weiler, consultor de carreira e negócios da ESIC Internacional, a mudança demográfica exige uma transformação na maneira como as empresas enxergam seus profissionais. “A carreira já não precisa seguir uma linha em que a pessoa se forma, trabalha por algumas décadas e, aos 60 anos, simplesmente deixa de ser produtiva. A longevidade está ampliando esse percurso”, afirma.
Segundo o especialista, a experiência acumulada pode representar um diferencial para as organizações. “Um profissional maduro traz repertório, visão estratégica, capacidade de análise, relacionamento e conhecimento de situações que muitas vezes não podem ser aprendidos rapidamente em um curso. O desafio é fazer com que essas competências sejam reconhecidas e combinadas com as habilidades das novas gerações”, explica.
Etarismo também é um desafio das empresas
Se cresce o número de pessoas que permanecem profissionalmente ativas por mais tempo, as empresas também precisam estar preparadas para essa transformação. Para Weiler, o debate sobre empregabilidade 50+ e 60+ não pode colocar toda a responsabilidade sobre o trabalhador. “Não basta dizer que o profissional maduro precisa se atualizar. A empresa também precisa se perguntar se seus processos seletivos estão reproduzindo preconceitos relacionados à idade e se sua cultura está preparada para trabalhar com diferentes gerações”, destaca.
Para o especialista, equipes multigeracionais podem reunir experiência e conhecimento acumulado às novas tecnologias, linguagens e formas de trabalho. “O futuro do trabalho não será exclusivamente jovem, nem exclusivamente maduro. Será cada vez mais multigeracional. As empresas que souberem integrar essas experiências terão uma vantagem importante”, avalia.
