
Nelson Rodrigues, se estivesse vivo, evitaria a qualquer custo comentar jogos de futebol. Não pela longevidade (já seria um centenário), mas pela apoplexia. O 7 a 1 o remeteria às calendas gregas de sua existência, mas não seria tão amargo quanto o 3 a 2 imposto pela seleção italiana, em Sarriá. Nunca o Brasil foi tão o oposto daquele complexo de vira lata que Nelson decantou em prosa e verso.
Daí aqueles que acreditam em Neymar como esperança de gol na Copa da Rússia estejam cobertos de razão. Não há nele nenhum complexo. Nem mesmo o complexo da ostentação exagerada com o uso de helicóptero particular para se deslocar do hotel ao campo de treino em Teresópolis, no Rio de Janeiro.
E é aí que mora o perigo. Afora os problemas físicos dos quais padece e a recente cirurgia que pôs em risco ou ao menos criou emoções dramáticas em torno de sua recuperação, Neymar sequer tem o complexo de banco de reserva. É o titular absoluta ou a “a grande esperança brasileira”, como quer o sempre hiperbólico Galvão Bueno.
Mas e se ele falhar? Nesse caso, a alternativa é Jesus. Só ele e talvez os apóstolos que o cercam ajudem o Brasil, primeiro, a manter sua fama de favorito “ad eternum”. Segundo, a fazer os gols que se espera que Jesus faça quando tudo o mais falhar na seleção – Neymar inclusive. Jesus já provou: por algum motivo, que não nos cabe duvidar, está com o time nas horas boas e nas horas ruins. Foi assim no amistoso entre Brasil e Croácia (2 a 0), neste domingo (3), em Liverpool. E acredita-se: Jesus salvaria, porque além do mais é brasileiro, se nele Tite depositar fé. Mas ele preferiu substituí-lo logo aos 15 minutos do segundo tempo. Por sorte Neymar estava lá (Bob Firmino também).
Claro que o Jesus a quem este colunista está se referindo é Gabriel Jesus. O leitor pensou em quem?
